A trágica perda da cadela Iara, que atuava junto ao Corpo de Bombeiros em uma missão de busca por duas crianças no Maranhão, trouxe à tona uma emergência veterinária pouco divulgada, mas de extrema gravidade: a entorse abdominal, também conhecida como dilatação vólvulo-gástrica (DVG). Esse quadro se desenvolve rapidamente e pode resultar em óbito antes que um diagnóstico adequado seja estabelecido, como aconteceu com a cadela Iara.
Durante as atividades, a cadela apresentou sintomas de mal-estar e não sobreviveu. Veterinários confirmaram a suspeita de entorse abdominal, uma condição considerada uma das emergências mais críticas na medicina veterinária de pequenos animais. A notícia sobre a morte de Iara foi compartilhada na quinta-feira (15/1) pelo prefeito Roberto Costa. “Recebemos a triste notícia do falecimento da cadela Iara, de 5 anos, do Bombeiro do Ceará, que faleceu devido a uma entorse abdominal”, lamentou ele.
De acordo com o médico veterinário Samuel Silva, especialista em pequenos animais e cirurgião geral em Brasília, a entorse abdominal, ou DVG, é uma condição extremamente séria. “O estômago se enche abruptamente de gás, líquido e alimento, dilatando-se consideravelmente e girando sobre seu próprio eixo”, explicou.
A médica veterinária Emanoela Estevam, também de Brasília, destacou que essa situação é uma emergência absoluta. “Os sintomas aparecem de forma repentina e se intensificam rapidamente. Quando surgem, é crucial levar o animal ao veterinário imediatamente”, afirmou. Emanoela alertou que esses sinais indicam que a situação já é crítica e pode levar à morte em questão de minutos sem a intervenção adequada. A torção provoca choque circulatório, afetando vários órgãos ao mesmo tempo.
Os especialistas observam que a entorse abdominal é mais comum em cães de grande porte, especialmente durante a fase jovem até a idade adulta. Animais que se alimentam ou bebem água rapidamente, consomem grandes quantidades de comida de uma só vez ou realizam atividades físicas logo após as refeições estão em maior risco. Samuel acrescenta que deitar logo após comer aumenta significativamente a probabilidade de desenvolvimento do problema. No entanto, há casos em que a condição surge de maneira inesperada, relacionada às características individuais do animal.
Embora não seja possível evitar totalmente a entorse abdominal, algumas práticas podem ajudar a minimizar o risco. Uma delas é dividir a alimentação em porções menores ao longo do dia e evitar oferecer comida muito próxima do horário de dormir. Outra recomendação importante é incentivar uma alimentação mais lenta, utilizando comedouros específicos que dificultem a ingestão rápida. É igualmente essencial evitar exercícios intensos logo após as refeições.
Essas medidas simples não eliminam completamente o risco, mas podem ajudar a reduzi-lo. Emanoela complementa que, mesmo com todos os cuidados, alguns cães podem ainda desenvolver a condição devido às particularidades de seu organismo.
A situação da cadela dos bombeiros destaca a seriedade da entorse abdominal e a necessidade de reconhecer rapidamente seus sinais. A veterinária enfatiza que, em situações como essa, o tempo é crucial: “O intervalo entre o aparecimento dos sintomas e o atendimento pode ser a diferença entre a vida e a morte do animal.”
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