Para os que residem nas proximidades do mar, observar as ondas pode ser uma experiência tranquilizadora. Contudo, o que muitos não percebem é que essas ondas representam uma fonte promissora para a geração de energia limpa. Com essa perspectiva, um cientista japonês propôs uma maneira de aumentar a eficiência na captação da energia das águas.
O objetivo é aprimorar determinadas características do conversor giroscópico de energia das ondas (GWEC, na sigla em inglês), um dispositivo flutuante que utiliza um volante giratório para transformar o movimento das ondas em eletricidade. Este aparelho, que flutua na superfície do mar, contém um volante giratório em seu interior, conectado a um gerador. Com esse design, ele tem o potencial de produzir eletricidade a partir do movimento das ondas, independentemente de variações em sua força e direção.
A adaptabilidade do novo GWEC representa um avanço significativo em comparação com as versões anteriores. Dispositivos giroscópicos anteriores enfrentavam desafios de eficiência devido às flutuações das ondas. O estudo, conduzido pelo pesquisador Takahito Iida da Universidade de Osaka, no Japão, teve seus resultados divulgados na revista Journal of Fluid Mechanics na última terça-feira (17/3).
Iida identificou que um dos principais problemas dos GWECs anteriores foi a suposição de que o mar apresentava um comportamento constante – o que, na realidade, não ocorre. Assim, os dispositivos perdiam eficiência com qualquer alteração na altura, frequência ou força das ondas.
Para tornar seu dispositivo mais flexível, Iida aplicou a teoria de ondas lineares para analisar como a interação entre as ondas oceânicas, o giroscópio e o corpo flutuante se daria. Com isso, ele conseguiu determinar a configuração ideal para que a máquina operasse de forma eficiente.
Ao ajustar parâmetros como a velocidade de rotação do volante giratório e a resistência do gerador, o novo dispositivo promete alcançar uma eficiência máxima de 50%, convertendo metade da energia das ondas em eletricidade – uma porcentagem considerada elevada.
Apesar dos resultados promissores gerados pelos cálculos, ainda não foram realizados testes práticos na água, apenas simulações computacionais. O próximo passo consiste na fabricação do aparelho e na avaliação de seu desempenho em condições reais.
Se for bem-sucedido, este dispositivo poderá se tornar uma excelente alternativa para a geração de energia sustentável – aquela proveniente de fontes renováveis e naturais, com um impacto ambiental mínimo ou inexistente.