Com a chegada das festividades de fim de ano e das férias de verão, os habitantes de Porto Alegre tendem a viajar com mais frequência. Para evitar o aumento na proliferação do mosquito Aedes aegypti e a incidência de novos casos de dengue no início do próximo ano, é crucial adotar medidas de prevenção tanto antes de partir quanto ao retornar à cidade.
Antes de viajar, é vital eliminar qualquer acúmulo de água parada em casa. Recipientes deixados em quintais, pátios ou varandas que possam acumular água após chuvas precisam ser escovados, pois os ovos do mosquito se fixam nessas superfícies e podem permanecer viáveis por várias semanas. Sempre que possível, mantenha esses objetos protegidos das intempéries.
Verifique também se as calhas estão limpas e desobstruídas, se os ralos não acumulam água e descarte itens sem uso que possam se transformar em criadouros. As fêmeas do Aedes depositam seus ovos nas paredes dos recipientes, perto da superfície da água, e não diretamente na água. Ao entrarem em contato com a água, esses ovos eclodem, dando início ao ciclo do mosquito e contribuindo para a propagação de doenças.
Caso haja confirmação de transmissão viral ou alta infestação do vetor, recomenda-se o uso de repelentes apropriados para cada faixa etária ou condição de saúde. Confira neste link dicas sobre cuidados com o imóvel e aqui orientações para a viagem.
A diretora de Vigilância em Saúde, Aline Medeiros, destaca o risco de viajantes retornarem infectados com sorotipos de dengue que não estão circulando atualmente em Porto Alegre (sorotipos 3 e 4) ou com outras arboviroses. Indivíduos contaminados podem ser picados por mosquitos saudáveis na cidade, iniciando a transmissão local do vírus e resultando em um aumento significativo de casos.
Desde 2010, Porto Alegre tem registrado a circulação dos sorotipos 1 e 2 da dengue. “Quem já contraiu dengue por um sorotipo e é infectado por outro pode desenvolver formas mais severas da doença. Portanto, a busca por atendimento médico e a notificação são essenciais”, enfatiza a técnica da Vigilância Epidemiológica, Letícia Campos Araújo.
Atenção aos sintomas: Durante a viagem e após o retorno, qualquer indício de febre, dor no corpo, dor atrás dos olhos, manchas na pele ou mal-estar deve levar à procura imediata de atendimento médico. As arboviroses são doenças que devem ser notificadas compulsoriamente.
Situação em Porto Alegre: Até 15 de dezembro de 2025, a capital acumulou 56.767 notificações de suspeita de dengue, com 22.591 casos confirmados e 25 óbitos. Esses dados estão sujeitos a atualizações.