Na manhã desta sexta-feira (19/12), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), estabeleceu contato telefônico com Valdemar Costa Neto, líder do PL. A conversa ocorreu logo após a ação da Polícia Federal (PF) que mirou o deputado Sóstenes Cavalcante, atual líder da bancada, e Carlos Jordy, no dia seguinte à cassação dos mandatos de Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem.
Fontes informaram que Valdemar fez a ligação a Motta no início do dia. Durante a conversa, o presidente da Câmara expressou solidariedade, colocando à disposição a assessoria jurídica da Casa, caso o PL considere necessário. Nos bastidores do Congresso, há uma pressão para que Motta defenda seus colegas contra as investidas da PF e do Supremo Tribunal Federal (STF).
Entretanto, há descontentamento dentro do PL em relação a Motta. O presidente da Câmara priorizou a votação de um projeto que estabelece parâmetros para penas relacionadas aos eventos de 8 de Janeiro, em vez de considerar uma anistia ampla, conforme o desejo da legenda bolsonarista. Adicionalmente, ele foi responsável pela cassação dos mandatos de Eduardo e Ramagem, por meio da Mesa Diretora.
Apesar do clima de tensão, a conversa entre Motta e Valdemar foi cordial. O líder do PL, segundo fontes, agradeceu o apoio e planeja manter contato com o presidente da Câmara para discutir os próximos passos a serem tomados.
A PF iniciou a Operação Galho Fraco com o intuito de aprofundar as investigações sobre o desvio de verbas públicas provenientes de cotas parlamentares. Os alvos da operação foram os deputados Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy. Inicialmente, havia especulações de que a ação fosse motivada por possíveis irregularidades relacionadas a emendas parlamentares.
A operação resultou em sete mandados de busca e apreensão, emitidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sendo cumpridos no Distrito Federal e no Rio de Janeiro (RJ). Durante a ação, os deputados do PL tiveram seus celulares confiscados e uma quantia significativa de dinheiro foi apreendida, incluindo R$ 430 mil encontrados no quarto de hotel de Sóstenes.