O depoimento dos acusados envolvidos na alegada conspiração golpista não apenas mobiliza um extenso esquema de segurança, mas também conta com a presença de profissionais de saúde no Supremo Tribunal Federal (STF). Essa precaução visa assegurar uma resposta rápida em casos de mal-estar durante as sessões de interrogatório. O ex-presidente Jair Bolsonaro, junto a outros sete réus, está sendo ouvido na Corte, iniciando pelo depoimento de Mauro Cid, seu ex-ajudante de ordens.
Conforme explica o STF, a presença de dois médicos durante os interrogatórios é um procedimento padrão em todas as sessões plenárias. Esses profissionais assistem às audiências diretamente na sala da Primeira Turma. Durante o seu testemunho, Cid revelou que Bolsonaro revisou e ajustou um documento que propunha reverter o resultado das eleições de 2022, incluindo a sugestão de prisão de certas autoridades, entre elas o ministro Alexandre de Moraes.
O documento em questão sugeria a anulação da eleição que elegeu Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a formação de uma comissão eleitoral para organizar novas eleições. Cid mencionou que Bolsonaro fez alterações no texto, removendo passagens que citavam a prisão de diversas pessoas. “De certo modo, ele simplificou o documento, excluindo a menção a outras autoridades que deveriam ser presas, deixando apenas você como detido. Os demais…”, declarou Cid. Em resposta, Moraes, em tom sarcástico, comentou: “O resto foi conseguindo um habeas corpus”.
Durante seu depoimento, Cid esclareceu que não havia grupos estruturados discutindo um golpe, mas sim indivíduos que procuravam o então presidente para apresentar essa possibilidade. Quando o ministro Alexandre de Moraes perguntou sobre quais réus poderiam ter agido em prol do golpe, Cid confirmou alguns nomes. “Os grupos não eram organizados. Cada um tinha sua própria ideia. Não havia uma estrutura, apenas pessoas levando sugestões ao presidente. Variedades de conservadores a radicais”, explicou.
Cid classificou Garnier como um dos mais radicais, enquanto mencionou outros nomes que agiram de forma mais moderada, como o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira. Após a declaração de Cid sobre Garnier, advogados presentes na sala se agitaram, e um deles se aproximou de Demóstenes Torres, que estava ao lado do ex-comandante da Marinha, para trocar informações discretamente enquanto revisava documentos.