A administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já autorizou um total de R$ 4,7 bilhões em financiamentos e participações para iniciativas relacionadas à inteligência artificial (IA), utilizando o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As informações foram publicadas pelo banco na última sexta-feira (20/2) e abrangem operações iniciadas em 2023.
Desse montante, aproximadamente R$ 3 bilhões foram alocados para projetos que são diretamente focados em IA, incluindo o desenvolvimento de soluções, infraestrutura tecnológica e aplicações industriais. O restante do valor é direcionado a empreendimentos que utilizam a tecnologia como parte de suas estratégias de negócios.
Essa abordagem integra a agenda de neoindustrialização e transformação digital promovida pelo governo federal. De acordo com o BNDES, os recursos abrangem tanto linhas de crédito tradicionais quanto operações de participação acionária por meio da BNDESPar.
Além de expandir o financiamento interno, Lula também levou a questão da IA para o cenário internacional. O presidente está presente em uma cúpula sobre inteligência artificial em Nova Déli, na Índia, onde dialoga com líderes globais e executivos do setor tecnológico sobre governança da IA, regras multilaterais e os impactos econômicos dessa tecnologia.
Durante esses encontros, Lula tem enfatizado a necessidade de uma coordenação internacional mais robusta para evitar a concentração de poder entre poucas empresas, buscando garantir que a IA seja um instrumento de desenvolvimento e não um fator de aumento das desigualdades.
Esta agenda internacional surge em um contexto em que diversos países estão avançando em propostas regulatórias para a inteligência artificial, enquanto grandes economias disputam a liderança tecnológica e a atração de investimentos em infraestrutura digital, como data centers.
Para o governo, o financiamento do BNDES visa posicionar o Brasil na corrida tecnológica global e incentivar a adoção de soluções de IA em setores como indústria, serviços e agronegócio. A expectativa é que a tecnologia contribua para aumentar a produtividade, reduzir custos e melhorar a competitividade das empresas brasileiras.
Essa movimentação também está alinhada com as discussões no Congresso Nacional sobre a regulação da inteligência artificial, um tema que ainda carece de um marco legal definido no Brasil.