Fernando Fernandes surpreendeu seus seguidores nas redes sociais ao divulgar um vídeo em que caminha com o auxílio de tecnologia avançada. O atleta paralímpico e apresentador ficou paraplégico após um grave acidente de carro em 2009. Em uma entrevista à revista Quem, ele compartilhou suas impressões sobre essa experiência, que reacendeu uma paixão há muito esquecida.
“Foi algo completamente diferente de tudo que eu vivi nos últimos anos. Eu fui com uma expectativa bem baixa, pensando que não sentiria nada, e me vi realizando movimentos que estavam adormecidos em mim. Reacendi uma chama que havia se apagado. Não me recordava mais de como era andar. Depois que aprendi a voar, essa ideia saiu da minha mente. A questão de andar não fazia parte do meu cotidiano, e eu não nutria esperanças nesse sentido”, afirmou.
Fernando expressou sua surpresa ao se ver caminhando: “Acredito que a tecnologia está começando a reacender essa chama que estava apagada dentro de mim. Quando vi meu movimento, exatamente como ando, fiquei impressionado. Uau! É possível! Estamos no caminho certo, mas ainda precisamos evoluir mais”, comentou.
O apresentador destacou que, desde que se adaptou a viver com rodas e asas, andar deixou de ser uma prioridade: “Ao conhecer meu novo mundo de rodas e asas, percebi que não sou dependente das pernas para viver. Elas me ajudaram por muito tempo, mas agora descobri como voar. Quando você não se limita às referências externas, começa a criar seu próprio mundo. No meu universo, sou totalmente feliz. Faço coisas que 90% das pessoas não fazem. Descobri quão longe posso ir sem a funcionalidade das minhas pernas. Se não chego andando, chego voando, utilizando motor, meus braços, do jeito que for necessário. Eu crio minha própria forma de chegar”, explicou.
Fernando também refletiu sobre os desafios enfrentados por quem não tem mobilidade nas pernas, ressaltando que isso vai além de estar em uma cadeira de rodas: “Sinto que o foco da medicina e da indústria farmacêutica é apenas em me remediar… Se eu tivesse a cura, não seria mais dependente dos medicamentos que preciso tomar para dores, infecções urinárias, escaras… As pessoas acreditam que o maior desafio de quem não anda é estar em uma cadeira de rodas, mas isso é apenas a ponta do iceberg. Existem questões fisiológicas muito mais complexas. Porém, a tecnologia continua a avançar. Hoje, ela cria máquinas potentes, exoesqueletos sofisticados, e no próximo ano, teremos algo ainda mais avançado. A busca pelo exoesqueleto perfeito é incessante, e eu pretendo usufruir dessas inovações, mesmo que elas sejam renovadas rapidamente”, afirmou.
O atleta expressou seu desejo de utilizar um exoesqueleto em diversas situações do dia a dia: “Estou interessado em um exoesqueleto para realizar atividades cotidianas, andar, passear em pé e ver o mundo de uma maneira que não fazia há muito tempo. Acredito que essa tecnologia me proporcionará a oportunidade de reencontrar meus movimentos, inicialmente de forma robótica, mas estou confiante de que os avanços irão aprimorar essa experiência. Em breve, poderei usar uma calça exoesqueleto que facilitará a conexão entre meu cérebro e meus membros inferiores”, finalizou.