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Minissérie espanhola no top 10 da Netflix: suspense sem emoção e desinteressante

Imagem: Divulgação Netflix

Desde que “La Casa de Papel” conquistou o mundo, o público tem recebido as produções espanholas da Netflix com um olhar curioso, mostrando apreço pela maioria das séries de seus compatriotas, como é o caso de Pedro Almodóvar. Recentemente, títulos como “Caso Asunta” e “Angela” tiveram um bom desempenho entre os brasileiros.

Uma das novas adições ao catálogo da plataforma, a minissérie “Cuco de Cristal”, se beneficiou dessa receptividade e tem se mantido entre as mais assistidas no Brasil por mais de dez dias. No entanto, essa popularidade é difícil de justificar. A trama se desdobra em duas linhas temporais: uma se passa nos dias atuais, acompanhando Clara (Catalina Sopelana), uma médica que sobreviveu a uma doença fatal graças a um transplante de coração. Em busca de seu doador, Carlos (Roque Ruiz), que faleceu em um acidente, ela se dirige a uma pequena cidade para descobrir mais sobre ele e o mistério que envolve o desaparecimento de seu pai, Miguel (Álex García), um policial que sumiu sem deixar rastros, assim como outros moradores.

A narrativa do início dos anos 2000 mostra Miguel em sua busca pela verdade sobre o desaparecimento de sua irmã, que desapareceu sem deixar vestígios no final dos anos 1970. O jogo temporal, que poderia enriquecer a história, acaba tornando “Cuco de Cristal” uma obra burocrática. O roteiro falha em conectar as duas narrativas de forma coesa e não consegue gerar a tensão necessária para manter o público interessado.

Faltou criatividade na exploração do potencial da premissa de “Cuco de Cristal”, que é prejudicada por elementos que não contribuem para a trama, como a rara doença de Carlos e a festa folclórica local, onde se desenrolam momentos cruciais da história. Tudo parece desconectado. Para piorar, os conflitos entre os personagens são apenas sugeridos e nunca realmente desenvolvidos, o que deixa o público sem entender suas motivações.

Apesar de ter uma estética interessante, “Cuco de Cristal” não chega a ser um guilty pleasure como “La Casa de Papel”. No fim das contas, a minissérie espanhola se revela apenas medíocre.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade