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A série que revela como o contrabando foi uma tábua de salvação durante a crise da epidemia de Aids

Imagem: Guilherme Leporace/Divulgação

Amanhã, a HBO Max lança o episódio inaugural da série “Máscaras de Oxigênio (Não) Cairão Automaticamente”, que se passa no Brasil durante os anos 1980 e 1990, período marcado pela epidemia de Aids. O Splash acompanhou as filmagens da produção, realizada no início de 2024, com um elenco que inclui Johnny Massaro, Bruna Linzmeyer, Ícaro Silva e Igor Fernandez.

Sobre a série
Sob a direção de Marcelo Gomes e Carol Minêm, a obra é baseada em uma história real que envolve comissários de bordo contrabandeando AZT, o único medicamento disponível para tratar a doença na época. A narrativa, que se desenvolve ao longo de cinco episódios, começa com Fernando (interpretado por Massaro), um comissário que descobre ser portador do HIV e decide contrabandear AZT para seu próprio uso. No entanto, ele logo percebe que o desafio é maior do que sua saúde individual e que a comunidade precisa de sua ação.

Muitas pessoas acreditavam que o vírus afetava exclusivamente homens gays, mas a verdade é que ele é democrático e pode atingir qualquer indivíduo. Reintroduzir esse tema na sociedade é crucial para que, por meio da informação, as pessoas possam não apenas viver melhor ao serem diagnosticadas, mas também evitar a propagação do vírus. Embora a cura ainda não exista, tratamentos para HIV e Aids estão disponíveis. — Johnny Massaro

Igor Fernandez, que vive Caio, um jogador de futebol gay e parceiro de Fernando, compartilha da mesma opinião. “A série aborda uma das maiores injustiças do período crítico da epidemia: a associação da doença a uma comunidade já alvo de preconceitos. O vírus não discrimina. A real culpabilização de uma minoria resultou em um desserviço, fazendo com que muitos deixassem de se proteger ao acreditar que apenas a comunidade LGBT+ estava em risco.”

Revisitar esse assunto com responsabilidade e informação é vital para combater tanto o preconceito quanto o vírus. — Igor Fernandez

Johnny Massaro destaca a importância de atualizar a percepção sobre viver com HIV nos dias atuais. “Muitos não sabem que é possível conviver com HIV e não desenvolver Aids, desde que esteja em tratamento. A expectativa de vida de quem vive com HIV hoje é superior à de pessoas que não têm o vírus, devido ao acompanhamento médico regular.”

Cenas intensas
Os protagonistas Fernando e Caio compartilham momentos íntimos ao longo da temporada. “Todas as nossas cenas de sexo foram cuidadosamente coreografadas e bem planejadas. Ensaiamos os movimentos em conjunto com a direção e a coordenadora de intimidade, decidindo o que se encaixava no contexto do projeto.”

E, para ser honesto, as cenas mais impactantes não foram as de natureza sexual, mas aquelas em que os sentimentos dos personagens estavam à flor da pele: nos protestos, nas confissões e nas profundas reflexões sobre a dor da epidemia e suas consequências. — Igor Fernandez

Para o ator, interpretar um jogador que vive com o medo de ser gay nos anos 1980 foi seu maior desafio. “No início da pesquisa, encontrei pouquíssimas informações sobre jogadores de futebol que viveram com HIV e se assumiram publicamente. Portanto, me baseei em uma questão mais ampla e ainda presente: o preconceito no esporte em relação à sexualidade. Dar vida a Caio, um homem apaixonado tanto por Nando quanto pelo futebol, transformou essa experiência em um aprendizado artístico e social.”

“Uma narrativa sobre vida e solidariedade”
Em entrevista ao Splash, o diretor Marcelo Gomes explica o que os espectadores devem saber ao assistir à série: “É a história de pessoas que estavam emergindo de uma ditadura militar opressiva, desejando viver. Uma juventude com um forte desejo de liberdade. É nesse cenário que surgem os clubes LGBTQIA+ e muitos começam a se assumir. Porém, a terrível epidemia de Aids chega, fazendo a sociedade se tornar ainda mais conservadora. Essas ondas de conservadorismo vêm e vão… Essa narrativa é linda, pois fala de vida, liberdade e solidariedade.”

Bruna Linzmeyer, que interpreta a comissária Leila, confirma o que o diretor disse: “Leila é uma personagem luminosa que sustenta muitas coisas que estão desmoronando ao seu redor. Ela se envolve em ações arriscadas para proteger aqueles que ama.”

Ícaro Silva observa que a série ilumina um período sombrio da história que raramente é discutido. Ele ressalta que a produção busca honrar o legado daqueles que perderam suas vidas devido à omissão do estado e ao preconceito que a Aids impôs, “com muita violência” nos anos 1980, e que ainda persiste. Apesar de ser uma infecção que pode afetar qualquer pessoa, a comunidade LGBT foi estigmatizada como a principal portadora da doença, resultando em uma falta de ação inicial.

A série carrega consigo essa temática e tem um propósito claro. É uma produção que dialoga com muitos que não se sentem representados e que resgata o legado daqueles que foram invisibilizados e rejeitados na época. É um reconhecimento da comunidade LGBTQIAPN+ que, talvez, ainda estivesse aqui se não fosse a omissão e o preconceito. — Ícaro Silva

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade