Entre nós, e que ninguém nos escute, há algo de instigante em encontrar alívio ao rir das desventuras dos outros. Os alemães têm uma expressão para isso: schadenfreude, que descreve o prazer que sentimos com as desgraças alheias. Não é algo admirável ou ético, mas mesmo que você não admita, é provável que já tenha sentido isso em algum momento. A Netflix, por sua vez, está produzindo uma série de documentários que mergulham nas desgraças alheias com uma frequência notável.
Sob a marca Desastre Total (Trainwreck no original), esses programas investigam casos bizarros que podem ter recebido ou não destaque na mídia. Os episódios que contam histórias verídicas, como o navio que enfrentou problemas técnicos e ficou repleto de dejetos dos passageiros, uma empresa de varejo com um culto secreto e o convite de uma festa que se tornou uma ameaça de segurança regional, têm atraído a atenção do público – parece até que o Facebook removeu a ferramenta de eventos por conta disso.
Recentemente, assisti a ‘Balloon Boy’: um pai inventivo que gosta de criar dispositivos curiosos. Fascinado pelo espaço, decide construir um OVNI. Ao soltar o balão, um de seus filhos teme que seu irmãozinho esteja dentro dele. A imprensa americana acompanha, entre curiosidade e um certo prazer sádico, o voo do objeto por horas.
Não vou revelar como a história se desenrola, mas o enredo inclui participações em ‘Troca de Esposas’, complicações com a imigração, acusações de fraudes e até a presença inusitada de uma vidente. É tudo tão absurdo, tão cativante. É simplesmente excessivo.
O reality show da marca Desastre Total revela nosso fascínio pela tragédia humana e, ao mesmo tempo, o quão intrigantes somos. É uma janela para o possível colapso da sociedade como conhecemos — ao ponto de eu me questionar se essa realidade realmente existiu algum dia.
Avaliação no Chicômetro: nota 9 de 10. Desastre Total está disponível na Netflix, com novas produções a caminho.
Retornaremos em breve com mais novidades.