Maria Eduarda da Silva Costa, uma menina de apenas três anos, venceu um tumor raro localizado na região da face que chegou a quase 11 centímetros. O problema foi identificado quando ela tinha cerca de seis meses, após sua mãe, Camila Costa, notar um inchaço na bochecha esquerda da filha, que se intensificou ao longo do tempo, levando à deformidade do olho esquerdo. Inicialmente, a família acreditou que se tratava de um problema relacionado à dentição, mas a situação se agravou, exigindo uma investigação médica mais aprofundada.
Após várias consultas, a família foi encaminhada ao Hospital das Clínicas, em São Paulo, onde foram realizadas biópsias em novembro de 2023. O diagnóstico revelou um tumor mesenquimal classificado como tumor miofibroblástico inflamatório (TMI), localizado na região mandibular esquerda. De acordo com Teli Almeida, oncopediatra do Instituto de Tratamento do Câncer Infantil (Itaci) do Icesp, embora o tumor seja considerado de baixo grau, ele não era inofensivo. O crescimento acelerado do tumor levou a complicações, como dificuldade respiratória e problemas para se alimentar, o que exigiu intervenções médicas urgentes.
Durante a primeira semana de internação, Maria Eduarda passou por procedimentos críticos, incluindo uma traqueostomia e uma gastrostomia, para garantir sua respiração e nutrição. A experiência foi traumática para Camila, que relatou o medo constante ao ver a rápida mudança na condição da filha. “Todos os dias me assustava, porque cada hora estava de um tamanho diferente”, contou a mãe.
O tratamento de Maria Eduarda no Itaci se estendeu por quase 90 dias em UTI, com um total de 79 sessões de quimioterapia. A oncopediatra explicou que o tratamento foi longo e incluiu quimioterapia endovenosa semanal e um imunossupressor específico, resultando na redução progressiva do tumor ao longo de 10 meses. A menina também recebeu cuidados de uma equipe multidisciplinar, que incluiu fisioterapia, fonoaudiologia, nutrição e odontologia.
Um dos momentos mais marcantes para Camila foi quando os primeiros sinais de eficácia da quimioterapia começaram a aparecer, com a diminuição do tumor. Em outubro de 2025, Maria Eduarda passou por uma cirurgia de grande porte que durou 13 horas, na qual foi removido 100% do tumor. O procedimento também incluiu a reconstrução de parte da bochecha, utilizando músculo retirado da perna da criança. Após a cirurgia, Maria Eduarda enfrentou um período de recuperação difícil, necessitando de sedação para monitoramento da integração do enxerto.
Atualmente, a menina está considerada curada, com exames recentes não apresentando sinais da doença. Em 22 de maio de 2026, ela participou de uma cerimônia simbólica no hospital, onde tocou um sino para marcar o fim de seu tratamento oncológico. Desde então, Maria Eduarda tem retomado sua rotina de infância e frequenta a creche sem restrições.
Apesar de sua boa recuperação, a oncopediatra Teli Almeida ressalta que o acompanhamento médico continua. A criança ainda apresenta cicatrizes das cirurgias, assimetria facial, alterações na mordida e ausência de alguns dentes do lado esquerdo. A gastrostomia, utilizada para a alimentação, está em processo de retirada, assim como o Port-a-Cath, dispositivo usado durante a quimioterapia, que deve ser removido em outubro deste ano.
A especialista orienta que os pais busquem avaliação médica ao notarem aumento persistente de volume na face, boca ou pescoço, especialmente quando acompanhado de crescimento rápido. Sintomas como dificuldade para se alimentar, alterações na respiração e assimetria facial também merecem atenção, uma vez que mudanças persistentes na infância devem ser investigadas.