O tratamento de condições como artrite e artrose tem se beneficiado significativamente da prática regular de exercícios físicos, conforme apontam estudos recentes. A ideia de que o repouso poderia ser uma forma de proteger as articulações afetadas, embora intuitiva, tem sido questionada por pesquisas que demonstram que a atividade física não apenas é segura, mas também benéfica para a maioria dos pacientes.
Quando as articulações começam a apresentar dor, a tendência é que as pessoas reduzam seus movimentos, acreditando que descansar é a melhor alternativa. No entanto, essa abordagem tem se mostrado inadequada. Pesquisas realizadas nas últimas décadas indicam que a movimentação regular ajuda a aliviar a dor, melhora a mobilidade e preserva a capacidade funcional dos indivíduos. Em 2018, a Liga Europeia contra o Reumatismo (EULAR) reconheceu a atividade física como parte integrante do tratamento padrão para artrites inflamatórias e osteoartrose, reforçando essa recomendação em uma atualização prevista para 2025.
A artrite não se limita a causar dor nas articulações; ela também pode provocar cansaço persistente, perda de massa muscular e aumento do risco cardiovascular. A prática de exercícios físicos proporciona benefícios que vão além do alívio da dor nas articulações. Durante a atividade física, os músculos liberam moléculas que melhoram a comunicação entre tecidos e órgãos, resultando em uma regulação mais eficiente do metabolismo e controle da inflamação. Esses efeitos contribuem para uma redução da dor e um aumento da disposição, permitindo que os pacientes realizem atividades cotidianas com mais facilidade.
Além disso, a atividade física é crucial para a saúde cardiovascular, uma vez que indivíduos com artrite reumatoide apresentam um risco elevado de doenças cardíacas. O exercício regular melhora o condicionamento cardiorrespiratório e diminui os fatores de risco cardiometabólicos. A preservação da massa muscular também é um ponto importante, já que a dor pode levar à inatividade e à perda de força muscular, um fenômeno conhecido como sarcopenia. O fortalecimento muscular, portanto, é fundamental para manter a capacidade funcional e oferecer suporte às articulações.
Outro aspecto relevante é a fadiga, frequentemente relatada como um dos sintomas mais incapacitantes da artrite. A incorporação de exercícios na rotina tende a diminuir essa fadiga, promovendo uma melhora geral na qualidade de vida dos pacientes. Quando uma pessoa com artrite se exercita regularmente, não está apenas aliviando a dor em uma articulação, mas também promovendo mudanças benéficas em músculos, metabolismo, sistema cardiovascular e processos inflamatórios.
A osteoartrose, a forma mais comum de doença articular, também se beneficia da atividade física. Durante muito tempo, a crença de que o repouso poderia preservar as articulações desgastadas prevaleceu, levando muitos a evitar movimentos. Entretanto, estudos demonstraram que a osteoartrose afeta não apenas a cartilagem, mas também outras estruturas articulares. Programas de exercício bem estruturados têm mostrado eficácia em reduzir a dor e melhorar a função física, especialmente em casos de osteoartrose de joelho e quadril.
A prática de exercícios fortalece a musculatura, que, por sua vez, ajuda a absorver parte das cargas geradas durante as atividades diárias, diminuindo a sobrecarga sobre as articulações comprometidas. Além disso, a atividade física contribui para a preservação da mobilidade, equilíbrio e autonomia, sendo especialmente importante para o controle do peso corporal, que é um fator crítico para articulações que suportam carga.
Embora o exercício não possa reverter completamente as alterações estruturais nas articulações, ele proporciona uma melhor mobilidade, reduz a dor e ajuda a manter a independência dos pacientes por mais tempo. Com a crescente evidência do papel do exercício no tratamento, pesquisas têm sido direcionadas para identificar quais modalidades são mais eficazes para aqueles que convivem com artrite e artrose.
Estudos têm comparado diferentes tipos de atividades físicas, mas não foi encontrada uma única estratégia que se destacasse como superior. No entanto, a adesão ao tratamento é um fator crucial, uma vez que os benefícios dependem da continuidade da prática. Portanto, a atividade mais adequada nem sempre é a que oferece os melhores resultados em condições ideais, mas sim aquela que pode ser incorporada à rotina do paciente.
As recomendações atuais sugerem uma combinação de exercícios aeróbicos, fortalecimento muscular, mobilidade e equilíbrio, com adaptações conforme a condição clínica e as preferências individuais. Essa nova perspectiva, que valoriza o movimento em detrimento do repouso, reflete uma mudança significativa no tratamento de artrite e artrose, enfatizando que a atividade física é essencial para a saúde e bem-estar dos pacientes.