Você já sentiu que é mais difícil conquistar novas habilidades e conhecimentos com o passar dos anos? A ideia de que o cérebro “para de aprender” aos 25 anos virou senso comum, mas não se sustenta na ciência. Especialistas explicam: o que ocorre nessa fase é uma mudança na forma como aprendemos, não o fim da capacidade de assimilar conhecimento.
Apesar da crença popular, o aprendizado não tem prazo de validade. Segundo o psiquiatra Tales Cordeiro, do Hospital Samaritano Higienópolis, em São Paulo, não existe evidência científica que comprove a interrupção do aprendizado na vida adulta.
Por volta dessa idade, o cérebro passa por um processo importante de maturação, especialmente no córtex pré-frontal, área ligada à tomada de decisão e controle emocional.
O neurocirurgião funcional Pedro Henrique Cunha, do Hospital Samaritano Paulista, de São Paulo, explica que essa fase marca o fim de um ciclo estrutural, não da aprendizagem.
“O que realmente acontece por volta dos 25 anos é o encerramento de uma fase específica da maturação cerebral”, ensina. Esse processo envolve a neuroplasticidade, que continua ativa ao longo da vida, permitindo novas conexões entre neurônios.
Com o passar dos anos, o cérebro deixa de aprender apenas por repetição e passa a usar experiências acumuladas. Isso pode tornar o aprendizado mais lento, mas também mais profundo e crítico.
O psiquiatra Bruno Pascale Cammarota, que atende no Rio de Janeiro, destaca que a capacidade de aprender permanece, embora com mudanças naturais ao longo do tempo. “O cérebro sempre é capaz de aprender novas informações, mas a forma de aprendizado se transforma com a idade”, explica.
Na prática, adultos tendem a associar novas informações ao que já sabem, enquanto jovens absorvem conteúdo de forma mais rápida, porém menos filtrada.
Mais do que a idade, hábitos e condições de saúde impactam diretamente o funcionamento do cérebro. Ansiedade, depressão, falta de sono e estresse são alguns dos principais fatores que prejudicam a capacidade de aprender. Transtornos psiquiátricos podem impactar tanto na capacidade de foco e atenção quanto na consolidação de memórias.
Além disso, sedentarismo, uso excessivo de álcool e má alimentação também afetam negativamente o desempenho cognitivo.
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Cérebro para de aprender aos 25? Entenda o que acontece com o órgão
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