O nadador argentino Matías Bottoni, de apenas 17 anos, sofreu um grave acidente durante os treinos para uma competição e resultou em sua paraplegia. O incidente ocorreu no último sábado (10/5) no Parque Rocano, em Buenos Aires, onde Matías e outros atletas estavam praticando a largada ao mergulhar de cabeça na piscina. Durante a atividade, ele colidiu com um colega que invadiu sua raia, provocando uma fratura em uma vértebra cervical.
Inicialmente, Matías foi encaminhado ao Hospital Santojanni, mas logo foi transferido para o Hospital Italiano de Buenos Aires, onde passou por uma cirurgia de descompressão da coluna. Esse tipo de procedimento é realizado para criar espaço para a medula e os nervos dentro da coluna vertebral, aliviando a pressão resultante de fraturas, hérnias ou tumores.
De acordo com o ortopedista Guilherme Henrique Porceban, que trabalha no Hospital Albert Einstein e no Sírio-Libanês, a cirurgia é indicada quando o estreitamento da coluna pode causar déficits neurológicos ou riscos de danos progressivos. “No caso de Matías, a fratura da vértebra C6 comprimiu o canal medular. Sem a descompressão, o inchaço e pequenos sangramentos poderiam agravar a lesão”, esclarece Porceban.
O objetivo da cirurgia foi aliviar a pressão sobre a medula e reconstruir a estrutura vertebral, prevenindo novos deslocamentos. A intervenção incluiu a estabilização da vértebra afetada, utilizando placas e parafusos para garantir a fixação.
O ortopedista Rafael Paiva, da Santa Casa de São José dos Campos, destaca que a fratura resulta em perda de estabilidade na coluna. “Por isso, é essencial fixá-la para evitar mais lesões à medula”, explica. Embora a descompressão não assegure a recuperação total da paralisia, ela pode impedir a progressão dos danos e possibilitar algum nível de recuperação, especialmente se parte da medula se mantiver intacta. “Quando a lesão é incompleta, a cirurgia pode ajudar a retornar força e sensibilidade”, acrescenta Porceban.
Matías Bottoni, atleta do Echesortu Fútbol Club, de Rosário, era considerado uma das promessas da natação argentina e estava na pré-seleção nacional júnior, com expectativas de participar dos Jogos Pan-Americanos Júnior de 2025, que ocorrerão em Assunção, no Paraguai.
Quatro dias após o acidente, Matías segue internado na unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital Italiano de Buenos Aires, onde permanece sedado e sob cuidados de uma equipe multidisciplinar, incluindo psicólogos e psiquiatras. Em uma declaração ao canal El Tres TV, sua mãe, Valeria Grimaux, revelou que os médicos informaram que a possibilidade de ele voltar a andar é remota. “Disseram-nos que não há chances. Mas tudo depende da resposta neurológica dele. Estamos nos apegando à fé”, declarou.
Acompanhe a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de todas as novidades sobre o tema! Receba atualizações de Saúde e Ciência diretamente no seu WhatsApp, acessando o canal de notícias do Metrópoles. Para mais informações sobre ciência e nutrição, confira todas as reportagens na seção de Saúde.