A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) começou a remover a estrutura da ciclovia instalada na Avenida Afonso Pena, Região Centro-Sul da capital mineira. O prefeito Álvaro Damião (União Brasil) anunciou a retirada do equipamento com uma postagem em seu perfil no Instagram no último sábado (13).
A ciclovia fazia parte de um projeto de revitalização da Avenida Afonso Pena iniciado em 2023, ainda na gestão de Fuad Noman (1947-2025) orçado em R$ 26,3 milhões, sendo R$ 11 milhões destinados especificamente para a construção de 4,2 quilômetros de ciclovia.
“Chegou um dos dias mais esperados por boa parte da população em Belo Horizonte. Dia em que nós vamos desmobilizar a ciclovia, a polêmica ciclovia da Afonso Pena. Primeiro eu queria falar para você que é ciclista, eu tenho um compromisso com vocês, aumentar o número de ciclovias em Belo Horizonte, mas não num lugar como esse. Afonso Pena, Amazonas, Antônio Carlos, Cristiano Machado, o trânsito já está muito sufocado e não dá espaço para isso nessas vias. A gente estava esperando a justiça autorizar. A justiça autorizou, a prefeitura veio e desmobilizou”, afirmou Damião.
Um post compartilhado por Álvaro Damião (@alvarodamiao)
A ciclovia da Afonso Pena é defendida pelos ciclistas, mas foi alvo de críticas baseadas na argumentação de que o aclive da avenida impediria o trânsito de bicicletas e de que a construção da faixa exclusiva reduziria o espaço para carros em uma das mais movimentadas vias da cidade.
Segundo o movimento Minha BH, R$ 23,3 milhões já foram gastos no projeto de revitalização da Afonso Pena (88,5% do total previsto no projeto).
O projeto da ciclovia que se estenderia da Praça da Bandeira até a Praça Rio Branco, em frente à rodoviária, foi aos tribunais em abril de 2024, quando o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) acionou a Justiça pedindo a paralisação das obras.
Segundo o MPMG, as intervenções causaraiam alterações viárias significativas no local sem licenciamento urbanístico prévio e sem demonstração de que as intervenções proporcionariam benefícios ambientais e viários
Em decisão proferida em setembro de 2025, o juiz Danilo Couto Lobato Bicalho, da 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Municipal da Comarca de Belo Horizonte Justiça, negou o pedido do Ministério Público. Neste ínterim, as obras ficaram paralisadas e não foram finalizadas mesmo após a decisão.