A empresa ferroviária Rumo anunciou que, no primeiro trimestre, os preços de frete estão cerca de 10% mais baixos em comparação com o mesmo período do ano anterior. Essa redução é resultado de um reposicionamento estratégico, realizado sob a gestão da Cosan, para tornar suas tarifas mais competitivas em relação a outras opções de transporte no Mato Grosso, conforme declarado por executivos durante uma coletiva na quinta-feira (5).
“Percebemos que nossos preços estavam muito altos em relação a outras soluções logísticas no primeiro trimestre do ano passado… Estou otimista de que agora estamos em níveis adequados de tarifas”, comentou Pedro Palma, CEO da Rumo, em uma conferência com analistas após a divulgação dos resultados financeiros da empresa na noite anterior.
“O primeiro trimestre de 2026 refletirá uma redução de preços em relação ao mesmo período de 2025, superior a 10%”, acrescentou o executivo, informando que, para o segundo trimestre, as tarifas permanecerão estáveis.
A meta da Rumo para este ano é transportar mais de 90 bilhões de TKUs, superando os 84,2 bilhões registrados no ano passado.
Guilherme Machado, vice-presidente financeiro, indicou que os investimentos da Rumo em 2026 devem ser inferiores aos do ano anterior, mas ainda assim superiores aos gastos de 2024, sem entrar em detalhes. Ele também mencionou que a empresa começou o ano com a capacidade de transporte praticamente toda contratada para o primeiro semestre.
Em relação a possíveis repercussões do conflito no Oriente Médio, o presidente da Rumo observou que o Irã é um cliente importante para as exportações de milho do Brasil no segundo semestre, tendo adquirido cerca de 9 milhões de toneladas em 2025. “Precisaremos monitorar para entender a duração e o impacto desse conflito. Historicamente, não parece que haverá uma interrupção significativa, mas será um assunto que exigirá nossa atenção e a de todo o mercado”, afirmou o executivo.
Sobre os custos com combustível, Felipe Saraiva, gerente executivo de relações com investidores da Rumo, ressaltou que os volumes já contratados possuem mecanismos que permitem à empresa repassar variações nos preços dos combustíveis. Além disso, ele destacou que, como a ferrovia é um modo de transporte mais eficiente que o rodoviário, tende a se beneficiar em períodos de aumento nos preços dos combustíveis. O executivo também enfatizou que a prioridade da Rumo é “assegurar uma ocupação eficiente de sua capacidade” de transporte.