Em meio ao silêncio sobre os danos causados pela recente homenagem durante o carnaval, o presidente Lula retorna de sua viagem internacional no dia 24 enfrentando a necessidade de uma reorientação estratégica. Enquanto isso, a oposição se mobiliza, acionando a Justiça Eleitoral para pedir penalidades pela suposta campanha eleitoral antecipada que ocorreu na avenida.
Ao aceitar “a maior homenagem que um brasileiro pode receber”, como destacou com ênfase, Lula não previu nem poderia restringir a criatividade do carnavalesco, que fez críticas contundentes aos conservadores, retratando-os como famílias enlatadas, entre outras provocações a esse grupo da população que o presidente deve conquistar para aumentar suas chances de reeleição.
O episódio resultou em desdobramentos tanto esperados quanto surpreendentes: a escola de samba foi rebaixada; a disputa entre a primeira dama Janja e Lurian, filha de Lula, que foi expulsa do camarim presidencial, veio à tona; e o TSE recebeu uma representação de Flávio Bolsonaro, levando o Tribunal a se manifestar.
Dentro do PT, há quem reconheça que o maior erro foi fornecer munição à oposição, com uma abundância de imagens de uma situação pública fora de controle, que Lula preferiu chamar de “liberdade de expressão”, utilizando uma das principais bandeiras ideológicas de seus rivais.
Ainda há a expectativa de que, a oito meses das eleições, o caso se dilua com o tempo, embora tenha gerado material suficiente para a propaganda eleitoral oposicionista.
As preocupações do presidente, ao retornar ao Brasil, são mais práticas e ultrapassam o episódio carnavalesco: a complexa formação de alianças estaduais. Os principais colégios eleitorais estão indefinidos ou até mesmo paralisados, seja pela falta de candidatos viáveis ou por desavenças entre aliados.
Esse é o cenário em estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A situação exigirá de Lula e seus apoiadores uma significativa reorientação para minimizar a perda de influência política, que já está diminuindo sua vantagem em uma disputa que se apresenta novamente polarizada.