O plenário 20 de Setembro estava repleto, refletindo a importância de uma transição que vai além da gestão administrativa, carregando um simbolismo profundo. Pepe Vargas se despediu da liderança da Assembleia Legislativa, enfatizando em seu discurso que o verdadeiro exercício do poder se traduz em responsabilidade. “Dirigir esta Casa foi uma grande responsabilidade, mas também uma imensa honra”, declarou, com a tranquilidade de alguém que compreende que sua passagem pelo cargo é breve, mas que o legado pode ser eterno.
Pepe foi além das palavras de gratidão. Recordou o empenho de sua gestão para estreitar laços entre o Parlamento e as comunidades, dando voz às diversas regiões e sustentando a sustentabilidade como um eixo central. O Pacto RS 2025, que percorreu o Estado em busca de soluções coletivas, foi destacado como um exemplo de que a política se constrói não apenas em gabinetes, mas também em praças, salões comunitários e encontros regionais. Sua despedida foi marcada pela crença de que o Legislativo deve ser, acima de tudo, um espaço de escuta.
Na sequência, o governador Eduardo Leite tomou a palavra. Enquanto Pepe refletia sobre seu legado, Leite se voltou para o futuro. Ele ressaltou que a relação respeitosa entre o Executivo e o Legislativo foi crucial para enfrentar as crises recentes, desde a pandemia até as enchentes que afetaram o Rio Grande. “Estabelecemos uma relação de respeito com o Legislativo, que foi fundamental nas decisões que transformaram o Rio Grande do Sul. Graças a esse diálogo, conseguimos superar desafios monumentais”, afirmou, expressando confiança na nova presidência de Sérgio Peres.
O contraste entre as falas é significativo. Pepe conclui com gratidão e serenidade, lembrando que o poder é efêmero e que a política deve ser exercida com responsabilidade. Por outro lado, Leite projeta continuidade e reitera o diálogo como uma ferramenta essencial para a governabilidade. Um encerra um ciclo, enquanto o outro abre novos caminhos.
No fundo, ambos concordam com um ponto crucial: sem colaboração, o futuro se torna inviável. O Legislativo que se despede e o Executivo que se compromete com a nova gestão falam a mesma língua – a da responsabilidade pública. E é nesse encontro de vozes que se revela o verdadeiro significado da posse: mais do que a simples troca de nomes na Mesa Diretora, é a reafirmação de que o Rio Grande do Sul necessita de diálogo para avançar. (Por Gisele Flores – [email protected])