Embora a pesquisa da Quaest, divulgada na quarta-feira (14), tenha mostrado uma melhora nas intenções de voto para Flávio Bolsonaro (PL-RJ), autoridades do governo que atuam no Palácio do Planalto acreditam que a possibilidade do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), se tornar candidato na corrida presidencial de outubro, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscará a reeleição, ainda não está descartada.
Um assessor próximo ao presidente afirma que as ações recentes de Tarcísio sinalizam que ele mantém seus planos de se lançar em uma candidatura nacional. Na terça-feira (13), o governador paulista compartilhou um vídeo nas redes sociais, gravado no ano anterior, onde critica o PT. Sua esposa, Cristiane Freitas, comentou na postagem: “Nosso país precisa de um novo CEO, meu marido”, uma afirmação que recebeu o apoio de Tarcísio com uma curtida.
Uma parte do governo acredita que é mais provável que Jair Bolsonaro, atualmente cumprindo pena na Superintendência da Polícia Federal em Brasília por tentativa de golpe em 2023, não esteja disposto a transferir sua liderança política à direita ao apoiar a candidatura do governador de São Paulo. Contudo, até mesmo esses assessores não descartam que a situação possa se alterar até o início de abril, prazo final para que Tarcísio se desincompatibilize.
A pesquisa da Quaest revelou que Flávio Bolsonaro, indicado por seu pai como pré-candidato à presidência, subiu em suas intenções de voto, alcançando entre 23% e 32% nas simulações para o primeiro turno. Em dezembro, o senador variava entre 21% e 27%. Em uma simulação de segundo turno contra Lula, o filho mais velho de Bolsonaro perde com 45% contra 38%. Em dezembro, a vantagem de Lula era de 46% a 36%.
Para o governo, Flávio é considerado um adversário menos ameaçador do que Tarcísio, devido ao seu elevado índice de rejeição. A pesquisa da Quaest também revelou que os dois nomes da direita apresentam índices semelhantes no segundo turno; no entanto, o governador de São Paulo perde para Lula com 44% a 39%. A principal diferença reside na rejeição: Tarcísio apresenta 43%, enquanto Flávio atinge 55%, um número que é quase idêntico ao de Lula, que aparece com 54%.
Conforme um assessor do presidente, Tarcísio, por adotar um perfil mais moderado, teria maior potencial para conquistar o eleitorado do centro, que, no primeiro turno das eleições de 2022, optou por Simone Tebet (MDB).
Nas análises do Planalto, em um confronto com Flávio, esse eleitorado, que rejeita a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, poderia optar novamente pelo atual presidente, como ocorreu em 2022. Em uma disputa acirrada, esses votos são cruciais. Lula superou Bolsonaro no segundo turno por 50,9% a 49,1% dos votos válidos. (Com informações de O Globo)
Planalto considera que Tarcísio de Freitas ainda pode se candidatar à presidência contra Lula
Foto: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP