A iminente chegada de Martín Anselmi ao Botafogo, agendada para o início de 2026, reacendeu uma antiga controvérsia que envolve tanto o técnico argentino quanto seu antecessor, o português Renato Paiva, que também liderou o clube carioca em 2025. A relação entre os dois profissionais é tudo, menos cordial, e remonta ao período em que ambos estiveram à frente do Independiente Del Valle, no Equador.
A discórdia começou quando Paiva, que comandou o Del Valle entre 2021 e 2022, declarou em uma entrevista ao canal DSports Ecuador que Anselmi teria manobrado nos bastidores para assumir o cargo enquanto ele ainda estava à frente da equipe. O português admitiu que já esperava que o argentino fosse seu sucessor, mas criticou a maneira como isso ocorreu, considerando o comportamento de Anselmi como antiético.
Durante a mesma entrevista, Paiva não poupou palavras ao se referir ao novo treinador do Botafogo, chamando-o de uma “desilusão total como pessoa” e alegando que Anselmi “tentou constantemente se infiltrar no clube”, especialmente em momentos de derrota, situação que, segundo ele, ocorreu “às suas custas”. O treinador português justificou sua exposição pública sobre o tema, afirmando que existem códigos éticos que devem ser honrados.
Renato Paiva construiu sua carreira nas categorias de base do Benfica antes de assumir o Independiente Del Valle, onde conquistou o Campeonato Equatoriano em 2021. Em 2022, deixou o clube e seguiu para o León, no México. No Botafogo, atuou de fevereiro a junho de 2025, sendo dispensado após a eliminação no Mundial de Clubes diante do Palmeiras.
Após a saída de Paiva, Martín Anselmi assumiu o Del Valle e teve um desempenho notável, conquistando títulos importantes como a Copa Sul-Americana de 2022 contra o São Paulo, a Recopa Sul-Americana de 2023 contra o Flamengo, além da Copa e da Supercopa do Equador. Recentemente, ele treinou o Porto, mas deixou o cargo em razão de uma série de resultados insatisfatórios.
Agora, Anselmi inicia sua jornada no Botafogo com um contrato até o final de 2027 e contará com uma comissão técnica composta por dois assistentes, um preparador físico e um treinador de goleiros. A expectativa é que ele chegue ao Rio de Janeiro na primeira semana de janeiro para dar início aos trabalhos.
Essa antiga rivalidade entre os treinadores ganha destaque justamente no momento de transição na direção do alvinegro. Enquanto Paiva reforça suas críticas publicamente, Anselmi chega cercado de desconfiança e esperança, devido ao seu histórico de conquistas no futebol sul-americano. No Botafogo, o argentino terá a tarefa de converter polêmicas em resultados. Por ora, a rivalidade entre o ex-treinador e o atual segue como um capítulo à parte na recente história do clube.