A mãe de Rael Fabiano Veiga Ungaretti, de 19 anos, revelou à Polícia Civil que está ciente da participação do filho no roubo a um casal que estava desfrutando de um passeio de caiaque em São Vicente, litoral paulista. Ela enfatizou que não tem conhecimento sobre onde o jovem se encontra, afirmando que ele “escolheu o caminho do crime” e não reside mais com a família.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o momento do assalto, ocorrido no domingo (21), a aproximadamente 100 metros da areia da Praia dos Milionários. Nas imagens, é possível ver dois homens utilizando uma moto aquática para abordar as vítimas e, em seguida, eles fugiram levando as alianças do casal.
Na manhã de quarta-feira (24), policiais civis foram à comunidade México 70, no bairro Vila Margarida, para cumprir mandados de busca e apreensão, além de um mandado de prisão temporária contra Rael. Segundo o boletim de ocorrência, os agentes encontraram a mãe do jovem, que relatou ter visto Rael poucas horas antes do assalto, quando ele mencionou que iria à praia.
A mãe expressou aos policiais que não apoia o estilo de vida que o filho escolheu. Ela também revelou que Rael havia sido preso por roubo em maio deste ano, mas foi solto em outubro.
Investigações em andamento
O delegado responsável pela investigação, Marcos Alexandre Alfino, declarou ao g1 que Rael é considerado foragido. “As fotos dele e o mandado de prisão serão enviados a todos os órgãos de segurança”, afirmou em um vídeo divulgado pela prefeitura.
O delegado ressaltou que o crime já foi esclarecido, mas as investigações continuam para identificar o segundo envolvido no assalto.
Registro do crime
Um vídeo gravado por uma testemunha mostra várias crianças brincando na praia enquanto o casal é abordado pelos assaltantes. Nas imagens, é visível que os criminosos permanecem em contato com as vítimas por alguns segundos, confiscando os remos que estavam usando. Em seguida, um dos ladrões agrediu uma das vítimas com o objeto.
A gravação também captura o momento em que a dupla se afasta, levando os remos, e logo depois abandonando os objetos no mar enquanto aceleram a moto aquática.
Depoimento da vítima
Em entrevista ao g1, a mulher de 47 anos descreveu que os assaltantes se aproximaram em uma moto aquática, fazendo uma manobra para respingar água no caiaque. Depois, pediram desculpas e chamaram a atenção de outra moto aquática com a frase: “É casal”. Em seguida, anunciaram o assalto, exigindo as alianças. “Eles começaram a circular em volta da gente, causando pânico. Meu marido, de 53 anos, tentou conversar com eles, dizendo que eram moradores da cidade”, contou.
No entanto, a paciência dos assaltantes se esgotou. “Aproveitando que um de nossos remos caiu no mar, começaram a agredir meu marido”, relatou a mulher, que mencionou que ele sofreu ferimentos na perna e na cabeça. “Eles atacaram com socos nas costas, na nuca, na cabeça. Entrei em pânico, pensando que, se ele desmaiasse ali, poderia se afogar.”
Após as agressões, o casal entregou as alianças e os assaltantes rapidamente fugiram.
Sentimentos de revolta
Após o ocorrido, o casal recebeu ajuda de algumas testemunhas. A mulher mencionou que seu marido saiu do mar atordoado devido às agressões, e ela foi pedir ajuda a um policial que estava na base da Operação Verão, mas o agente afirmou que não poderia fazer nada. “Foi uma sensação horrível, de impunidade”, destacou.
Ela também se dirigiu à delegacia para registrar um boletim de ocorrência online, mas pediu uma postura mais enérgica das autoridades e políticos locais. “É necessário aumentar o policiamento no mar”, enfatizou.
A posição da Polícia
A Polícia Militar, em nota, explicou que, nos casos de crimes já consumados em que não há flagrante, o procedimento adequado é registrar a ocorrência no Distrito Policial correspondente. “Isso visa subsidiar o planejamento das ações preventivas da Polícia Militar e apoiar as atividades investigativas da Polícia Civil”, acrescentou.
Nota da Prefeitura
A Prefeitura de São Vicente informou que a ocorrência foi atendida pela PM e que está colaborando com as investigações da Polícia Civil. Além disso, a administração está promovendo fiscalizações em marinas, por meio de operações conjuntas com a PM, para coibir irregularidades, como o aluguel de motos aquáticas sem registro, que podem ser utilizadas para atividades ilícitas.
A Prefeitura também estuda novas maneiras de regulamentar com mais rigor a navegação de qualquer tipo de embarcação na orla. A administração municipal ressaltou que a Marinha do Brasil é a responsável pela segurança no mar e que já contatou órgãos competentes para intensificar as fiscalizações, especialmente durante a alta temporada.
Posição da Marinha
A Capitania dos Portos de São Paulo, em nota, informou que não recebeu notificação oficial sobre o incidente mencionado. Segundo o órgão, a Marinha realiza inspeções navais, especialmente em Santos, São Vicente e Guarujá, focando na segurança da navegação e na proteção da vida humana no mar, dentro de suas atribuições legais conforme a Lei de Segurança do Tráfego Aquaviário.
A Capitania também declarou que questões relacionadas à segurança pública, como o caso em questão, são de responsabilidade dos órgãos competentes, que devem investigar e tomar as medidas adequadas.