As ações da Micron Technology registraram um aumento superior a 13% nesta quinta-feira (18), por volta das 15h35, no horário de Brasília, impulsionadas por previsões de lucros que superam as estimativas do mercado. Essa expectativa positiva surge em um contexto de escassez global de chips de memória, impulsionada pela alta demanda proveniente de data centers voltados à inteligência artificial.
A falta de memória afeta diversos setores, desde smartphones até grandes data centers, elevando os preços e permitindo que a Micron anteveja um lucro ajustado no segundo trimestre quase duas vezes maior do que o esperado por Wall Street. Analistas da Morningstar destacaram que “a limitação na oferta de memória, devido à intensa demanda por infraestrutura de IA, está elevando os preços de mercado da Micron e de seus concorrentes no setor de chips de memória”. Eles também afirmaram que “a recuperação cíclica atual está criando um valor significativo para os acionistas”.
A Micron se destaca como um dos três principais fornecedores de chips de memória de alta largura de banda (HBM), ao lado da sul-coreana Samsung e da SK Hynix, com esses componentes sendo essenciais para o treinamento e a implementação de modelos de IA generativos. Neste ano, as ações da Micron já subiram mais de 160%, enquanto as ações da Samsung e da SK Hynix, listadas na Coreia do Sul, tiveram valorização que ultrapassou duas e três vezes, respectivamente.
Em uma teleconferência com investidores na quarta-feira (17), o CEO da Micron, Sanjay Mehrotra, expressou sua expectativa de que o mercado de chips de memória mantenha-se aquecido mesmo após 2026. O setor de memória é conhecido por suas flutuações cíclicas, com períodos de quedas e altas acentuadas, além de preços voláteis.
Apesar de as opiniões dos analistas variarem sobre a duração da atual fase de expansão, comumente chamada de “superciclo”, há um consenso em Wall Street de que a escassez de oferta pode se estender além das previsões da Micron, mesmo com os esforços para aumentar a capacidade produtiva. A empresa tem reformado suas plantas de produção para atender à crescente demanda dos data centers de IA e também ampliou seus planos de investimento em capital para 2026, totalizando US$ 20 bilhões, visando atender à demanda crescente.
Embora os analistas da Morningstar prevejam uma eventual diminuição nos preços no longo prazo, eles acreditam que a escassez de oferta deve persistir até 2027. Da mesma forma, especialistas do J.P. Morgan também projetam que essa limitação de oferta se prolongue até o mesmo ano.