Autor: Ana Claudia Paixão – via Miscelana
Beatrice e Eugenie ocupam uma posição intrigante na família real britânica, sendo ao mesmo tempo próximas do núcleo real e, paradoxalmente, distantes dele. Como netas da Rainha Elizabeth II e filhas do Príncipe Andrew e Sarah Ferguson, elas possuem títulos e prestígio, além de laços sanguíneos com o Rei. No entanto, não são consideradas royals seniores, o que significa que não recebem salário público nem têm obrigações oficiais regulares. Essa situação lhes concede liberdade para seguir suas carreiras (Beatrice se destaca no setor de tecnologia e consultoria, enquanto Eugenie se dedica às artes e à filantropia), mas também as torna suscetíveis às crises de popularidade de seus pais e às decisões estratégicas do Palácio.
O Impacto dos Escândalos Paternos
O polêmico caso Epstein mergulhou a vida de Andrew em crises constantes, e Beatrice esteve ao seu lado em momentos críticos, como quando foi a única a acompanhá-lo ao Palácio de Buckingham para uma reunião com a Rainha antes da famosa entrevista ao Newsnight. Andrew teria utilizado a presença da filha como suporte emocional para decidir se falaria ou não com a jornalista Emily Maitlis. O resultado foi desastroso, resultando na perda de sua vida pública e na sua saída definitiva como royal ativo. Beatrice, por sua vez, ficou marcada pelo constrangimento de estar ligada a um dos maiores desastres de relações públicas da Casa Real nos últimos anos.
Outro episódio notório foi a festa de 21 anos de Eugenie em 2011, que contou com a presença de figuras como Harvey Weinstein, Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell. Embora as princesas não possam ser responsabilizadas pelas escolhas sociais de seus pais, a associação a esses nomes gerou uma impressão negativa que ainda ressoa, sendo utilizada por críticos de Andrew como um indicativo de que ele manteve relações com Epstein mesmo após sua condenação.
Relações Familiares e a Dinâmica com os Primos
As princesas sempre tiveram uma relação próxima com Harry e William, mas essa conexão não é isenta de tensões. Com Kate Middleton, os tabloides frequentemente insinuam que Beatrice e Eugenie não ficaram contentes com a ideia de uma monarquia reduzida, o que as deixaria sem funções formais, dada a sua posição como filhas do “filho do meio”. Uma das histórias mais comentadas gira em torno do casamento de William e Catherine, em 2011, quando ambas foram alvo de memes implacáveis devido aos seus chapéus extravagantes, sendo comparadas às irmãs feias de Cinderella, Anastasia e Drizella.
Duas interpretações sobre esse episódio são recorrentes:
1. Elas se sentiram profundamente ofendidas pela reação do público e mudaram radicalmente seu estilo ao longo dos anos, tornando-se referências de moda, reconhecidas por suas escolhas elegantes e contemporâneas.
2. A mudança de estilo foi uma estratégia deliberada para gerar atenção, especialmente considerando que a mãe delas, Sarah, não foi convidada para o casamento, o que poderia ser visto como um protesto sutil.
O que se confirma é que ambas passaram por uma verdadeira transformação de imagem, deixando para trás a imagem de “as princesas excêntricas dos chapéus feios” para se tornarem ícones de moda frequentemente citados em listas de melhores looks em eventos reais.
A Relação com o Avô
Outro aspecto que merece destaque é a complicada relação entre Sarah Ferguson e o Príncipe Philip, que supostamente nunca perdoou a ex-nora por suas indiscrições. Beatrice e Eugenie cresceram sob essa tensão, cientes da aversão do avô pela mãe, mas mantiveram-se próximas a ela. Essa lealdade é considerada uma de suas características mais marcantes, já que nunca se distanciaram publicamente de Sarah, mesmo quando isso poderia desagradar outros membros da família.
Conquistas e Desafios
Apesar de todo o contexto de desafios, Beatrice e Eugenie são vistas como jovens educadas, dedicadas ao trabalho e à família. Beatrice construiu uma carreira sólida e é admirada por sua discrição e postura. Eugenie, por sua vez, se envolve em causas sociais e aborda temas importantes, como a conscientização sobre escoliose, condição que enfrentou pessoalmente, enquanto leva uma vida relativamente privada. Ambas se casaram de maneira discreta, formaram suas próprias famílias e cultivam uma imagem positiva junto ao público.
Controvérsias e Críticas
As críticas que enfrentam geralmente refletem os comportamentos de seus pais ou a percepção de que usufruem de privilégios sem as responsabilidades formais que outros membros da família real carregam. A associação com Andrew e Sarah, o envolvimento em eventos com Epstein e a conexão ao fiasco do Newsnight ainda ressoam sobre elas, mesmo que indiretamente.
Conexões Familiares e o Papel de Eugenie
Eugenie é reconhecida como um elo importante entre Harry, Meghan e o restante da família real. Ela foi uma das primeiras a conhecer Meghan, mantém uma amizade próxima com o casal e chegou a visitá-los nos Estados Unidos. Isso a torna um potencial canal para a reconciliação, mas também pode gerar desconfiança em William e Kate, que temem novos vazamentos ou alinhamentos fora do círculo familiar.
Por outro lado, Beatrice adota uma postura mais institucional e desfruta de um bom relacionamento com Charles, que já expressou interesse em que ela assuma compromissos reais. No entanto, assessores do Palácio alertam que qualquer movimento nesse sentido poderia ser interpretado como uma tentativa de Andrew de “entrar pela porta dos fundos”.
Sem Status de Royals Seniores
Apesar de todo o prestígio que possuem, Beatrice e Eugenie não são consideradas royals seniores. Elas não recebem financiamento do Sovereign Grant, não têm uma agenda oficial regular e não representam a Coroa em compromissos estatais, exceto em raras ocasiões. Isso as classifica como “celebridades reais”, com títulos, mas que se sustentam por meio de suas carreiras no setor privado.
Uma Questão de Estratégia e o Futuro
O paradoxo é que Charles precisa de mais representantes para compartilhar o peso de uma monarquia mais enxuta. Beatrice e Eugenie poderiam ser a solução ideal: jovens, bem vistas e sem escândalos próprios, com experiências de vida fora da bolha real. Contudo, a percepção pública de que sua volta ao primeiro plano poderia ser vista como um favor a Andrew ainda pesa mais do que os benefícios potenciais.
O Custo do Nome Real
Beatrice e Eugenie exemplificam como o legado real pode ser tanto um privilégio quanto uma prisão. Elas conseguiram mais acertos do que erros, reinventaram sua imagem e conquistaram o respeito do público, mas permanecem atadas ao legado de seus pais e às decisões da instituição. O Palácio as mantém à sombra, não por serem inadequadas, mas porque reconhecê-las como “úteis” reabriria o debate sobre Andrew.
Desse modo, o maior drama delas é silencioso: são princesas que possuem títulos, mas não exercem os papéis que poderiam; têm acesso ao poder, mas não podem exercê-lo. Elas são peças valiosas para uma monarquia que precisa se renovar, mas são impedidas de avançar por uma estratégia de contenção de danos que não é culpa delas, mas sim um reflexo da era de escândalos que envolveu os York.
Se a monarquia conseguir superar sua atual crise de popularidade e continuar a se manter enxuta, pode ser que nunca vejamos Beatrice e Eugenie ocupando os postos que estão à sua disposição. Contudo, se houver necessidade de reforçar a equipe, elas serão as primeiras a ser convocadas — prontas para responder ao chamado. No fim das contas, o futuro delas representa a modernidade da Coroa: uma vida aguardando para ser chamada ao palco, enquanto lidam com o peso de um sobrenome que é, ao mesmo tempo, uma herança e uma sentença. De “chapéus extravagantes” a ícones de resiliência, Beatrice e Eugenie mostram que, mesmo sob a sombra dos York, o futuro ainda pode reservar a elas um espaço iluminado no centro da monarquia.