Na terça-feira (17), o Real Madrid conquistou uma vitória por 1 a 0 sobre o Benfica, no Estádio da Luz, em um jogo que marcou o início dos playoffs para as oitavas de final da Champions League. O principal acontecimento da partida foi quando Vini Jr, autor do gol, acusou o jogador Gianluca Prestianni de injúria racial. Luisão, uma das maiores lendas do clube português, saiu em defesa do atacante brasileiro.
O ex-zagueiro, que tem 45 anos, se manifestou nas redes sociais sobre o incidente que manchou o confronto, postando uma série de vídeos em seus stories do Instagram, nos quais criticou o protocolo antirracista estabelecido para esses casos. Sua posição mais contundente foi expressa em um comunicado escrito, onde se opôs à postura adotada publicamente pelo Benfica, que buscava se proteger diante da acusação feita por Vinícius.
“Vestir esta camisa é um privilégio, amo o Benfica, e ela é como uma segunda pele para mim. É necessário ter dignidade para portar o manto sagrado. O que foi dito é uma mentira: futebol se ganha com garra e determinação. Foi, sim, um ato racista, e me sinto envergonhado por isso”, afirmou o ex-jogador.
Luisão representou o Benfica de 2003 a 2018, acumulando uma impressionante trajetória com 538 partidas, 47 gols e diversos títulos, incluindo seis campeonatos da liga portuguesa. Ele se tornou o segundo atleta com mais jogos na história do clube, atrás apenas de Nené.
Antes de sua carreira na Europa, atuou pelo Cruzeiro entre 2000 e 2003, após iniciar sua trajetória no Juventus-SP em 1999, e se despediu do futebol mineiro com a conquista da tríplice coroa. Na seleção brasileira, foi convocado entre 2001 e 2011, disputando 44 partidas e conquistando a Copa América em 2004, além da Copa das Confederações em 2005 e 2009.
O tumulto teve início quando Vinícius marcou um belo gol aos seis minutos do segundo tempo, colocando o Real Madrid à frente no placar. Durante a celebração, o brasileiro dançou em frente à bandeirinha de escanteio, provocando a torcida adversária, o que resultou em um cartão amarelo. Logo após, Prestianni se envolveu em uma discussão com o atacante, culminando na acusação de injúria racial.
Ao retornarem ao meio-campo, a tensão aumentou; em um momento, Prestianni cobriu a boca com a camisa do Benfica, e Vinícius imediatamente se dirigiu ao árbitro. Apesar da ativação do protocolo antirracismo, o juiz não aplicou qualquer sanção ao atleta do Benfica, que continuou jogando sem advertência.
A situação gerou reações entre os torcedores presentes, que começaram a proferir xingamentos contra Vinícius, que foi alvo de vaias até o apito final. O atacante Kylian Mbappé, um dos mais fervorosos defensores de Vinícius, também sofreu hostilidade vinda das arquibancadas.
Prestianni negou, em suas redes sociais, ter feito ofensas racistas. O Benfica se manifestou em apoio ao jogador, emitindo uma declaração após o término da partida. Na coletiva pós-jogo, o técnico do Benfica, José Mourinho, foi questionado sobre um possível arrependimento de Gianluca. Ele se mostrou cauteloso, afirmando que cada jogador tinha sua versão dos acontecimentos e que não tomaria partido.
Após a partida, Vini Jr também se pronunciou, chamando Prestianni de “covarde” por, segundo ele, ter tentado ofendê-lo enquanto cobria a boca com a camisa, gesto que, conforme o atacante, visava esconder a leitura labial. Ele criticou o árbitro Letexier, que acionou o protocolo antirracismo, mas não puniu o jogador do Benfica. Vale lembrar que Vinícius já havia recebido um cartão amarelo anteriormente por uma comemoração considerada provocativa.
O Real Madrid e o Benfica se enfrentarão novamente na próxima quarta-feira (25), às 17h (horário de Brasília), no Estádio Santiago Bernabéu. O vencedor deste confronto enfrentará o Sporting ou o Manchester City na próxima fase da competição.