Ao saber que Paulo Cesar Zanovelli da Silva seria o árbitro do clássico, uma sensação de apreensão tomou conta de mim. Era uma tragédia já anunciada. Fiquei surpreso com a aceitação passiva tanto do Cruzeiro quanto do Atlético-MG em relação à escolha desse profissional para um jogo tão significativo — o último duelo do ano. Não tenho nada contra as habilidades técnicas do árbitro, mas seu histórico não justifica essa decisão.
A dupla mineira já demonstrou sua insatisfação com a arbitragem regional, especialmente no campeonato estadual, e mesmo assim, decidiu acatar essa imposição. O resultado não poderia ser outro. Hesitante e tentando conduzir o jogo de forma amistosa — quando não tomava decisões confusas —, Zanovelli teve dificuldades até mesmo para interpretar as cores dos cartões. E a expulsão? Uma verdadeira confusão. Para agravar a situação, ele marcou um escanteio em um lance que era um evidente tiro de meta, que resultou no gol do Atlético.
O Cruzeiro também tem sua parcela de responsabilidade. O desempenho foi novamente insatisfatório. William poderia ter afastado a bola, Kaio Jorge poderia ter agido com mais cautela, e o time, de modo geral, não apresentou o futebol que os torcedores esperam. Contudo, a atuação do árbitro contribuiu significativamente para que este se tornasse um dos piores clássicos mineiros que presenciamos recentemente, abalada a confiança de ambas as equipes.
Sem dúvida, uma arbitragem de qualidade duvidosa! Que isso sirva de alerta para a diretoria do Cruzeiro: é imprescindível que não permita mais que esse árbitro apite jogos da equipe. Aliás, o clube já teve diversas lições sobre arbitragem neste ano. Apenas uma nota não resolve a situação. Os árbitros estão realmente aquém do esperado. E isso é um problema estrutural, frequentemente apoiado pelos próprios clubes, que reclamam, mas acabam aceitando as condições atuais. A CBF, uma instituição bilionária, precisa encarar essa questão com seriedade. Até quando continuará a contornar a situação, colocando árbitros em reciclagem apenas para dar uma justificativa? E como a memória coletiva é curta, esses mesmos árbitros retornam ao quadro e os erros se repetem. A realidade é que a CBF trata a arbitragem nacional como uma solução temporária. Quando surge um problema, tenta-se um paliativo, mas a questão persiste.
Entretanto, a atitude de Kaio Jorge, em plena era do VAR, foi lamentável e não é o que se espera de um profissional. Esse tipo de comportamento deve ficar com os torcedores nas arquibancadas. Foi um ato imaturo que prejudicou o Cruzeiro. Por sorte, o Atlético-MG não lida bem com a vantagem de ter um jogador a mais em campo — isso ficou evidente novamente.
O Cruzeiro já acumula quatro partidas sem vencer, a maior sequência de derrotas no Brasileirão. A resposta precisa vir neste confronto contra o Fortaleza, em casa. A equipe precisa apresentar um futebol mais convincente. É hora de deixar de lado Palmeiras, Flamengo e questões de arbitragem, e focar em seu próprio jogo — é o momento de retomar o caminho e buscar a vaga na Libertadores, um objetivo que já está ao alcance.
Em hipótese alguma esse time pode repetir o fiasco do segundo semestre da temporada passada. É hora de sacudir a poeira e jogar bola, pessoal! Urgentemente!