Um dos líderes mais duradouros do grid atual da Fórmula 1, Christian Horner foi dispensado pela Red Bull nesta quarta-feira (9), apenas três dias após mais uma performance insatisfatória da equipe no GP da Inglaterra, realizado em Silverstone. O dirigente que esteve à frente de Max Verstappen deixa seu cargo com efeito imediato, pondo fim a uma carreira de 20 anos na função, marcada por polêmicas nas últimas duas temporadas.
A decisão pegou muitos de surpresa, uma vez que Horner conquistou diversos títulos ao longo de sua gestão na equipe austríaca. Ele liderou a Red Bull a oito campeonatos mundiais de pilotos, com Sebastian Vettel (2010 a 2013) e Verstappen (2021 a 2024), além de seis troféus de construtores (2010 a 2013, 2022 e 2023).
Durante esse período, o sucesso de Horner o transformou em uma figura de destaque tanto dentro quanto fora do paddock da Fórmula 1. Sua aparição na série “Drive To Survive” da Netflix ajudou a aumentar sua notoriedade. Adicionalmente, o britânico de 51 anos é casado com Geri Halliwell, famosa integrante das Spice Girls.
A Red Bull anunciou a substituição de Horner por Laurent Mekies, que atualmente liderava a RB, a equipe satélite da Red Bull na F-1. Alan Permane, que era diretor da equipe menor, foi promovido a chefe da RB.
A equipe divulgou um breve comunicado sobre a saída de Horner: “A Red Bull dispensou Christian Horner de suas funções operacionais a partir de hoje (quarta-feira, 9 de julho de 2025) e nomeou Laurent Mekies como CEO da Red Bull Racing”, afirmou um porta-voz da equipe. Oliver Mintzlaff, CEO de Projetos Corporativos e Investimentos, expressou gratidão a Horner pelo seu trabalho excepcional ao longo das últimas duas décadas.
O comunicado não esclareceu os motivos da demissão. Apesar do domínio de Verstappen nos últimos anos, Horner enfrentava críticas crescentes, tanto internamente quanto externamente, devido ao desempenho insatisfatório dos carros nesta temporada. Recentemente, ele foi questionado sobre rumores de que o tetracampeão poderia deixar a equipe ao final do ano para se juntar à rival Mercedes.
O ano está sendo complicado, com Verstappen reclamando da qualidade do carro, que não se compara ao da McLaren, equipe que tem dominado a temporada de 2025. Com o campeonato já na segunda metade, as chances de o piloto e sua equipe conquistarem os títulos mundiais são remotas.
Horner é apenas o mais recente de uma série de executivos de alto escalão a deixar a Red Bull nos últimos 18 meses. O renomado projetista Adrian Newey se transferiu para a Aston Martin, e o diretor esportivo Jonathan Wheatley foi para a Sauber. Essas mudanças ocorreram após a morte de Dietrich Mateschitz, cofundador da Red Bull, em 2022, que foi fundamental na criação do projeto de F-1.
A equipe também passou por reestruturações, dispensando o mexicano Sergio Pérez no final da última temporada e tentando, sem sucesso, Liam Lawson como companheiro de Verstappen. Lawson foi substituído por Yuki Tsunoda, que ainda não conseguiu marcar pontos em suas cinco corridas.
A saída de Horner acontece mais de um ano após ele ser acusado de má conduta em relação a um funcionário da equipe, alegação que foi rejeitada por uma investigação interna da Red Bull. Horner continuou no comando durante todo o processo.
Ex-piloto cuja carreira nas pistas não chegou à F-1, Horner se tornou o chefe de equipe mais jovem da categoria aos 32 anos e era o único diretor com duas décadas de experiência na mesma função no grid atual.
Sua saída ocorre em um momento em que a equipe se prepara para uma das maiores mudanças nas regras da F-1 em décadas na próxima temporada, com a Red Bull iniciando a fabricação de seus próprios motores em parceria com a Ford, um projeto que estava sob a supervisão de Horner.