O Carrefour comunicou nesta segunda-feira, 19 de novembro, a assinatura de um acordo para adquirir a Codifrance, controlada pelo grupo belga Colruyt, em uma operação avaliada em 152 milhões de euros, valor que inclui dívidas da distribuidora de alimentos. A transação, que visa fortalecer a presença do grupo francês no segmento de varejo de conveniência, deve ser concluída até o primeiro semestre de 2027, conforme previsão da companhia.
A aquisição ocorre em um momento de instabilidade social na França, marcada por protestos de grande escala que mobilizaram mais de meio milhão de pessoas. Os manifestantes protestam contra o aumento do custo de vida e contra propostas governamentais de cortes nos gastos públicos, que têm resultado em episódios de violência, saques e confrontos com as forças de segurança. Durante o último fim de semana, várias unidades do Carrefour foram alvo de atos de vandalismo, especialmente em cidades como Paris, Rennes, Lille e Bordeaux.
Segundo o CEO do Carrefour, Alexandre Bompard, cerca de 50 lojas da rede foram saqueadas durante as manifestações. Ele estimou que os prejuízos decorrentes dos danos materiais ultrapassam 10 milhões de euros, além de indicar que alguns funcionários de unidades franqueadas terão de entrar em regime de desemprego parcial devido às interrupções nas operações. Bompard também afirmou que as lojas mais afetadas permanecerão fechadas por um período enquanto os reparos necessários forem realizados.
As manifestações, que tiveram início em várias regiões do país, evoluíram para atos de violência e vandalismo, deixando centenas de policiais e bombeiros feridos e resultando na detenção de milhares de manifestantes. As unidades do Carrefour atingidas estão localizadas principalmente em Paris, mas também em cidades como Rennes, Lille e Bordeaux, onde os danos materiais e a destruição de propriedade privada e pública evidenciam o impacto econômico e humano do movimento.
Em comunicado oficial, Alexandre Bompard destacou o “custo humano e econômico considerável” decorrente dos atos de vandalismo e reforçou a necessidade de o governo francês atuar para garantir a segurança dos comerciantes e varejistas. Ele também reforçou a importância de proteger o setor de varejo, que enfrenta dificuldades adicionais devido ao clima de instabilidade social.
A transação de aquisição da Codifrance pelo Carrefour representa uma estratégia de expansão no segmento de conveniência, um mercado que tem mostrado crescimento consistente na França e em outros países, especialmente diante das mudanças nos hábitos de consumo. A operação, contudo, ocorre em um contexto de crise social que tem afetado diretamente as operações do setor de varejo, evidenciando os desafios enfrentados por empresas na manutenção de suas atividades em meio a tensões sociais e econômicas.