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Crescimento de 50% nas vendas de brinquedos para adultos e adolescentes impulsiona mercado em 2026, aponta estudo

O mercado de brinquedos no Brasil apresenta sinais de transformação, com produtos tradicionalmente considerados infantis conquistando consumidores de faixas etárias mais elevadas. Segundo dados divulgados pela Circana Brasil e pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a receita gerada por brinquedos destinados a adolescentes e adultos cresceu 50% até agosto de 2026, refletindo uma mudança de comportamento de consumo e uma ampliação do público-alvo do setor.

Este fenômeno ocorre em um contexto de alta nas vendas durante o Dia das Crianças, comemorado nesta segunda-feira (12). A previsão é de que o setor movimentará aproximadamente R$ 9,27 bilhões, o maior volume desde 2014, consolidando-se como uma data de grande relevância para o comércio varejista brasileiro. Apesar de a data manter sua tradição associada às crianças, a preferência por brinquedos que atendem a interesses de adultos e adolescentes tem se fortalecido, impulsionando o crescimento de categorias específicas, como action figures, blocos de montar, cartas colecionáveis e produtos relacionados à Fórmula 1 e à Ferrari.

Dados da Circana Brasil revelam que, entre janeiro e agosto de 2026, o faturamento de brinquedos voltados a essas faixas etárias aumentou em 50%, sendo que o crescimento registrado entre 2025 e 2026 foi de 100% para esses produtos multigeracionais. Em contraste, os brinquedos dirigidos exclusivamente ao público infantil tiveram um crescimento de 17% no mesmo período, demonstrando uma tendência de diversificação e ampliação do mercado.

A preferência por produtos como action figures, que representam personagens de filmes e séries, e os blocos de montar, como os da Lego, continuam em destaque, ocupando posições de destaque entre as categorias mais compradas por colecionadores. Além disso, itens ligados à Fórmula 1 e à Ferrari também figuram entre os lançamentos e os produtos que apresentam maior crescimento no setor.

Célia Bastos, diretora executiva da Circana Brasil, ressalta que o consumo de brinquedos não se limita mais à infância. Segundo ela, adolescentes e adultos encontram nesses produtos uma forma de expressar interesses pessoais, resgatar memórias afetivas e compartilhar experiências com diferentes gerações. Essa mudança de comportamento reflete uma evolução cultural e de mercado, onde o ato de brincar ganha novas dimensões para públicos mais amplos.

A expansão dessa tendência não é exclusiva do Brasil. Nos Estados Unidos, levantamento realizado pela mesma consultoria em 2024 revelou que adultos passaram a gastar mais com brinquedos para uso próprio do que qualquer outra faixa etária. Entre janeiro e abril daquele ano, consumidores com 18 anos ou mais desembolsaram cerca de US$ 1,5 bilhão, superando a faixa de três a cinco anos de idade e tornando-se o principal grupo de faturamento do setor.

O interesse por brinquedos colecionáveis, especialmente cartas raras, também tem ganhado destaque nas redes sociais. Um exemplo é a venda do card Pikachu Illustrator, por Logan Paul, em fevereiro de 2026, por US$ 16,492 milhões, um recorde mundial que evidencia o potencial de valorização de itens antes considerados exclusivos para o público infantil. Essa valorização reforça a importância de segmentos que, até pouco tempo, eram vistos apenas como objetos de lazer infantil.

Além do impacto cultural, o aspecto econômico do Dia das Crianças também é expressivo. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), cerca de 70% dos brasileiros pretendem adquirir presentes na data, que deve movimentar aproximadamente R$ 20,2 bilhões em compras neste ano, um aumento de 7,5% em relação a 2025. A região Sudeste lidera as expectativas de consumo, com 48% do valor total, seguido pelo Nordeste, Sul, Centro-Oeste e Norte.

No que diz respeito ao valor médio por presente, o Centro-Oeste deve registrar o maior gasto, com uma média de R$ 298 por compra, enquanto o Sudeste projeta uma média de R$ 232. Os brinquedos continuam sendo a preferência de 57% dos consumidores ao escolher presentes, seguidos por vestuário e acessórios (27%) e artigos esportivos (12%).

Esses dados evidenciam uma mudança significativa no perfil de consumo durante o Dia das Crianças, indicando que a preferência por brinquedos que atendem a públicos mais amplos e a valorização de itens colecionáveis têm potencial de impulsionar o mercado de brinquedos de forma sustentável nos próximos anos.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade