As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) no Brasil encerraram a quinta-feira, 8 de novembro, em queda, especialmente nos prazos mais longos, refletindo a diminuição dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries) e a percepção de favoritismo do senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial. A redução nas taxas futuras ocorre em um contexto de maior otimismo dos investidores, influenciado pelo cenário político e pelas expectativas de controle fiscal no país.
Desde o início da semana, após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, a taxa do DI para janeiro de 2035 acumulou uma queda de 153 pontos-base, indicando uma percepção de maior estabilidade e possibilidade de políticas fiscais mais alinhadas ao controle das contas públicas. Na quinta-feira, as taxas dos DIs apresentaram uma tendência de estabilidade na abertura do mercado, mas logo migraram para o território negativo, impulsionadas tanto pelo cenário externo quanto pelo “trade eleitoral”. Os investidores demonstraram maior apetite ao risco, refletindo a expectativa de que, se Flávio Bolsonaro for eleito, poderá haver maior controle das despesas públicas, mesmo que ainda não tenham sido apresentadas propostas concretas de ajuste fiscal.
No mercado secundário, a taxa do DI para janeiro de 2028 fechou a sessão em 12,54%, uma redução de cinco pontos-base em relação ao ajuste de 12,593% registrado na sessão anterior. Já na ponta longa da curva, o contrato para janeiro de 2035 atingiu 12,6%, com uma retração de 18 pontos-base ante os 12,779% do dia anterior. Essa movimentação reflete a influência direta da queda nos rendimentos dos Treasuries de longo prazo, que, após exibirem altas firmes na manhã, desaceleraram ao longo do dia e se firmaram em baixa na parte da tarde, mesmo com o petróleo Brent permanecendo em alta.
A baixa nos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano, considerados referência global, contribui para a pressão de baixa na curva de juros brasileira, reforçando a percepção de um cenário político mais favorável ao controle fiscal. Essa leitura foi corroborada por uma pesquisa de intenções de voto divulgada pelo PoderData/Aya, que aponta Flávio Bolsonaro com 53% dos votos válidos na simulação de segundo turno, contra 47% de Lula, com uma margem de erro de 1,8 ponto percentual. A expectativa agora está voltada para a divulgação da nova pesquisa do Datafolha, prevista para o início da noite.
No âmbito político, há uma avaliação de que a possível eleição de Flávio Bolsonaro aumentaria as chances de um maior controle das contas públicas, embora o candidato ainda não tenha apresentado propostas concretas de ajuste. Essa expectativa impacta diretamente o mercado de juros, que já refletia uma redução nos prêmios de risco na parte mais longa da curva, trecho mais sensível às questões fiscais. A taxa do DI para janeiro de 2035 chegou a atingir uma mínima de 12,530% às 14h15, momento em que o Ibovespa também se aproximava de sua máxima diária.
Além do cenário interno, notícias do exterior também influenciaram o movimento de queda nos rendimentos dos Treasuries. Às 16h38, o rendimento do título de dez anos, referência para decisões globais de investimento, caiu cinco pontos-base, situando-se em 5,229%. Essa redução reforça o ambiente de maior apetite ao risco nos mercados internacionais, contribuindo para a trajetória de baixa nas taxas futuras brasileiras.
Em Brasília, as movimentações políticas continuam sendo acompanhadas de perto por investidores e analistas. O jornal Folha de S.Paulo revelou que a equipe de Flávio Bolsonaro estaria estudando alterações nos reajustes de aposentadorias e na correção de gastos obrigatórios com saúde e educação, propostas que, se implementadas, poderiam impactar o cenário fiscal. Em resposta, Flávio afirmou que reajustará aposentadorias acima da inflação, negando planos de modificar a forma de correção dos benefícios previdenciários e do Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Por sua vez, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, criticou as propostas do senador, afirmando que Flávio vende uma “ilusão” ao mercado e que suas propostas não consideram os impactos sobre a atividade econômica e o emprego. Assim, o mercado permanece atento às próximas movimentações e às pesquisas de intenção de voto, que podem definir o rumo das taxas de juros futuras no Brasil.