A China anunciou nesta sexta-feira, dia 9, a liberação de 550 bilhões de yuans, aproximadamente 82 bilhões de dólares, provenientes de cotas de dívida pública não utilizadas, com o objetivo de reforçar as finanças dos governos locais e ampliar os investimentos em infraestrutura. Essa iniciativa ocorre em um momento de sinais econômicos fracos e busca contribuir para o alcance da meta de crescimento de 4,5% a 5% estipulada para o ano.
A decisão foi tomada após a divulgação de diversos indicadores econômicos que evidenciam um cenário de desaceleração, aumentando a pressão sobre as políticas de estímulo para sustentar o crescimento. O primeiro trimestre do ano, por exemplo, apresentou sinais de fraco desempenho, com a demanda interna permanecendo baixa e uma prolongada recessão no setor imobiliário, fatores que compensaram parcialmente o crescimento observado nos setores de alta tecnologia e nas exportações de bens.
Segundo informações do Ministério das Finanças da China, parte significativa dessa quantia, cerca de 300 bilhões de yuans, será destinada a suportar as operações diárias de governos em nível de condado e distrito, garantindo o funcionamento eficiente das administrações locais. O restante do montante será investido em projetos de infraestrutura, sobretudo aqueles em andamento e situados em regiões economicamente mais robustas, o que visa impulsionar a atividade econômica nessas áreas.
A medida reforça a estratégia do governo chinês de utilizar quotas de dívida pública não utilizadas como ferramenta de estímulo fiscal, prática que tem sido adotada nos últimos dois anos para promover o crescimento econômico ao final de cada ciclo fiscal. O Conselho de Estado da China, órgão executivo máximo do país, comprometeu-se no mês passado a intensificar o apoio político anticíclico, buscando enfrentar a crescente pressão econômica e cumprir as metas de desenvolvimento para o ano.
Além disso, o Ministério das Finanças destacou que, neste ano, o valor total de dívidas públicas liberadas supera os valores destinados às mesmas ações em 2024 e 2025, indicando uma estratégia de estímulo mais agressiva. Em comunicado oficial, o órgão reiterou a intenção de implementar uma política fiscal mais vigorosa e eficaz, com foco na expansão da demanda interna, um aspecto considerado crucial para a recuperação econômica diante do cenário de desaceleração.
Essa movimentação reflete a preocupação do governo chinês em manter o ritmo de crescimento, mesmo diante de indicadores econômicos desafiadores, e evidencia a busca por mecanismos que possam equilibrar o fortalecimento do setor financeiro e o impulso ao investimento em infraestrutura, essenciais para sustentar a recuperação econômica do país.