O índice Ibovespa atingiu nesta sexta-feira (9) sua máxima histórica, impulsionado principalmente por expectativas de avanço nas pesquisas eleitorais e por movimentos no mercado de petróleo. O mercado financeiro brasileiro acompanhou com atenção os novos levantamentos que indicam uma liderança do senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial, à frente do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Essas informações contribuíram para a alta do índice, que chegou a superar os 1,5%, atingindo 209.713 pontos, marcando uma nova máxima intradiária na história da bolsa brasileira. O contrato futuro de vencimento mais próximo, em 14 de outubro, também operou em alta de 1,03%.
Paralelamente, o mercado de commodities viveu ajustes após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando a intenção de interromper ataques ao Irã até a realização das eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro. Essa postura trouxe maior estabilidade aos preços do petróleo, que refletiram o cenário de expectativa e de menor tensão geopolítica na região.
No câmbio, o dólar apresentou uma tendência de queda frente ao real, influenciado pelos levantamentos eleitorais favoráveis a Flávio Bolsonaro. Às 12h, a moeda norte-americana à vista caiu 0,69%, sendo vendida a R$ 4,9895. Na véspera, o dólar fechou a sessão com alta de 0,17%, a R$ 5,0240. No exterior, entretanto, a moeda norte-americana apresentou uma valorização moderada em relação a outras divisas de países emergentes, refletindo um movimento de ajuste global.
Os juros futuros também mostraram reação positiva às perspectivas eleitorais, com as taxas dos DIs de longo prazo operando em baixa. A expectativa de uma possível vitória de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial contribuiu para a redução das taxas de juros para janeiro de 2028, que recuaram de 12,548% para 12,545%. Da mesma forma, os contratos de juros para janeiro de 2035 tiveram queda, passando de 12,604% para 12,425%. Esses movimentos indicam uma percepção de menor risco e maior confiança dos investidores na estabilidade econômica, caso o cenário favorável ao candidato seja confirmado.
As pesquisas divulgadas nesta manhã pelo levantamento Atlas/Bloomberg reforçam essa tendência, apontando que Flávio Bolsonaro possui 51,1% das intenções de voto, contra 45,7% de Lula. Com uma margem de erro de um ponto percentual para mais ou para menos, a liderança do senador é considerada além do limite do empate técnico, fortalecendo as expectativas de uma vitória na disputa presidencial.
O impacto dessas informações também se refletiu na curva de juros, que apresentou uma leve redução, sobretudo por parte dos investidores que consideram uma maior probabilidade de controle das contas públicas sob uma eventual gestão de Flávio Bolsonaro. Nesse contexto, os dados de inflação divulgados mais cedo na manhã tiveram menor efeito no mercado, embora o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro tenha subido 0,82%, acima da expectativa de 0,73%.
O aumento do IPCA foi influenciado pelo encarecimento da energia elétrica, que apresentou alta de 7,98%, parcialmente devido ao fim da incorporação do Bônus de Itaipu nas faturas emitidas em agosto, conforme dados do IBGE. Em 12 meses, o índice acumula avanço de 4,58%, enquanto no acumulado do ano a alta chega a 3,95%. O Banco Central mantém a meta de inflação de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
De acordo com o economista-chefe do Banco BMG, Flávio Serrano, os números de inflação apresentaram apenas surpresas pontuais e não alteram o cenário de estabilidade atual. Ele destacou que as expectativas favoráveis às pesquisas eleitorais também colaboram para a redução dos juros futuros, reforçando a percepção de um ambiente mais favorável para os investimentos e para a economia brasileira nos próximos meses.