A ex-presidente da Caixa Econômica Federal e atual coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro afirmou na terça-feira, 6 de novembro, que o eventual governo do candidato apoiado por Bolsonaro pretende acabar com o mecanismo de split payment, uma ferramenta prevista na proposta de reforma tributária que realiza a retenção automática de impostos no momento da aquisição de bens ou serviços. A declaração reforça a postura de resistência ao modelo fiscal defendido pelo atual governo, destacando a oposição a mudanças que possam impactar negativamente o fluxo de caixa de pequenos negócios e setores econômicos mais frágeis.
Durante entrevista ao canal do jornalista Claudio Dantas no YouTube, Daniella Marques fez referências explícitas a nomes ligados à campanha de Bolsonaro, como Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente, e Adolfo Sachsida, atual ministro de Minas e Energia. Ela afirmou que esses nomes “pautaram esse governo” e foram “muito vocais” na oposição ao split payment, que, segundo ela, “simplesmente asfixia o capital de giro do pequeno, que já está asfixiado”. A declaração evidencia uma postura de crítica contundente ao mecanismo, que, na visão dela, prejudica a saúde financeira de empresas de menor porte.
Questionada diretamente sobre a intenção do time econômico de eliminar o split payment, Daniella Marques respondeu de forma direta: “Claro que sim.” Sua resposta indica que a proposta de acabar com esse recurso faz parte do projeto de governo defendido pelos apoiadores de Bolsonaro, reforçando a oposição ao modelo atualmente em discussão na reforma tributária.
Além de sua posição sobre o split payment, Daniella Marques criticou duramente o andamento da reforma tributária no Congresso Nacional, especialmente a demora na definição das alíquotas e o impacto que as mudanças podem gerar na economia brasileira. Ela destacou que o novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que juntos comporão o maior imposto de valor agregado do mundo, tendem a provocar uma forte inflação no setor de serviços, conhecido como terceiro setor. Essa previsão reforça as preocupações de setores econômicos que temem uma elevação de custos e uma possível desaceleração econômica decorrente da reforma.
A ex-presidente da Caixa também apontou que há um grupo técnico trabalhando na elaboração de alternativas à proposta de reforma tributária, que deverão ser apresentadas após as eleições presidenciais de 2022. Ela criticou a insegurança jurídica gerada pelo atual processo, afirmando que há uma necessidade urgente de maior clareza na definição das alíquotas e na implementação do arcabouço fiscal, que atualmente deixam empresários e investidores em situação de incerteza, dificultando a tomada de decisões.
Essa postura de Daniella Marques evidencia o alinhamento de sua visão com o segmento político que busca resistir às mudanças na estrutura tributária do país, especialmente aquelas que possam aumentar a carga tributária ou limitar instrumentos de arrecadação considerados essenciais por setores mais conservadores. A discussão sobre o split payment e a reforma tributária, portanto, permanece como um dos pontos centrais do debate político-econômico no Brasil, refletindo tensões entre diferentes visões de desenvolvimento e sustentabilidade fiscal.