O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou neste sábado (19) que recebeu pedidos de crédito totalizando R$ 8,2 bilhões nos dois primeiros dias de funcionamento da terceira fase do Plano Brasil Soberano. Entre os dias 17 e 18 de setembro, o banco recebeu um total de 138 operações de financiamento, demonstrando a forte demanda por recursos por parte de empresas brasileiras afetadas por fatores externos e internos.
Do montante total de pedidos, o BNDES informou que R$ 1,7 bilhão já foi aprovado. Destes recursos aprovados, uma parcela significativa, R$ 794 milhões, foi destinada a empresas do grupo 2, que compreende setores industriais considerados estratégicos, como têxtil, químico, farmacêutico, minerais estratégicos e fertilizantes. Esses setores têm papel relevante na economia nacional e vêm sendo priorizados na estratégia de fortalecimento da indústria local.
Além disso, R$ 680 milhões foram direcionados a empresas do grupo 1 e seus fornecedores, setores que vêm sofrendo impactos diretos devido às tarifas impostas pelos Estados Unidos, conhecidas como o “tarifaço”. Essas tarifas têm dificultado a exportação de produtos brasileiros para o mercado norte-americano, levando as empresas a buscarem linhas de crédito para manter suas operações e buscar alternativas de mercado.
Outro segmento beneficiado com recursos aprovados foi o grupo 3, composto por empresas e fornecedores que exportam para países do Golfo Pérsico, recebendo R$ 251 milhões em financiamentos. Essas operações refletem a busca por diversificação de mercados e a necessidade de apoio financeiro diante de um cenário de incertezas globais.
No setor de fertilizantes, as operações de crédito concentram a maior parte dos recursos aprovados, totalizando R$ 683 milhões. Este setor é estratégico para o agronegócio brasileiro, um dos pilares da economia nacional, e tem recebido atenção especial no âmbito do Plano Brasil Soberano.
O Plano Brasil Soberano, iniciativa do governo federal, foi criado para oferecer suporte financeiro às empresas brasileiras afetadas por sobretaxas internacionais, como o “tarifaço”, e por crises ou conflitos geopolíticos que impactam o comércio global. A medida visa fortalecer a capacidade produtiva e a competitividade das empresas nacionais em um cenário de instabilidade internacional.
Em comunicado, Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, destacou que o volume de pedidos recebido demonstra a necessidade de financiamento por parte das empresas diante das incertezas no comércio internacional. Ele reforçou que a nova etapa do programa conta com um orçamento total de R$ 22,6 bilhões, sendo R$ 13,5 bilhões provenientes do Tesouro Nacional e R$ 9,1 bilhões do próprio BNDES, indicando o compromisso do governo em apoiar o desenvolvimento econômico do país frente aos desafios atuais.