A percepção dos consumidores brasileiros sobre a situação econômica do país continuou deteriorando em setembro, marcando a quinta queda consecutiva e atingindo o nível mais baixo desde novembro de 2022, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (24) pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da instituição registrou uma redução de 0,5 ponto, fechando o mês em 84,2 pontos, o menor patamar desde o final de 2022, quando o índice havia atingido 83,5 pontos.
O levantamento evidencia um cenário de pessimismo crescente entre os consumidores, especialmente em relação às expectativas para o futuro. De acordo com o economista do FGV IBRE, Rodolpho Tobler, a queda na confiança foi impulsionada principalmente pela deterioração nas expectativas, enquanto os indicadores que avaliam a situação atual apresentaram uma leve melhora. Tobler destacou que o ICC acumulou uma perda de 4,9 pontos nos últimos cinco resultados trimestrais, sinalizando uma tendência de desaceleração na percepção econômica dos brasileiros.
O Índice de Situação Atual (ISA), que mede a avaliação do momento presente, subiu modestamente 0,2 ponto, chegando a 84,0 pontos. Em contrapartida, o Índice de Expectativas (IE), que reflete as projeções futuras, recuou 0,9 ponto, atingindo 85,2 pontos. Este último índice representa o menor nível desde maio de 2022, quando marcou 84,0 pontos. A deterioração das expectativas é um sinal de que os consumidores estão mais pessimistas quanto à economia nos próximos meses, o que pode impactar o consumo e o crescimento econômico do país.
Apesar do quadro negativo, Tobler apontou que houve uma melhora na confiança de consumidores de renda mais baixa, especialmente no que diz respeito à sua situação financeira futura. Essa recuperação, segundo o economista, pode estar relacionada ao reajuste de valores de benefícios sociais, que impacta positivamente a percepção de uma parcela da população mais vulnerável. Ainda assim, ele ressaltou que, diante do cenário atual de condições financeiras apertadas, com elevado endividamento e inadimplência, a perspectiva de uma retomada consistente da confiança no curto prazo permanece incerta.
O contexto econômico brasileiro tem sido marcado por fatores de instabilidade, incluindo alta inflação, juros elevados e dificuldades no mercado de trabalho, que contribuem para a deterioração da confiança do consumidor. A expectativa de que a economia possa melhorar no futuro se vê prejudicada por esses fatores, dificultando a recuperação do sentimento de otimismo que impulsiona o consumo e o investimento.
Diante desse cenário, especialistas indicam que a recuperação da confiança do consumidor dependerá de melhorias nas condições econômicas, redução do endividamento e maior estabilidade financeira para as famílias. A pesquisa da FGV reforça a percepção de que o ambiente econômico no Brasil ainda enfrenta desafios significativos, refletidos na percepção dos próprios consumidores sobre o momento presente e as perspectivas futuras.