As vendas do comércio varejista no Brasil em agosto de 2023 apresentaram um aumento de 7% na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo dados divulgados nesta terça-feira (22) pela empresa de meios de pagamento Stone. Além disso, o setor registrou uma leve expansão de 0,5% em relação a julho, indicando uma continuidade na recuperação do setor, embora com sinais de desaceleração na evolução mensal.
De acordo com o levantamento realizado pela Stone, cinco dos oito segmentos analisados apresentaram crescimento de vendas no mês de agosto. O destaque ficou para a categoria de Combustíveis e Lubrificantes, que registrou um avanço de 2,7% em relação ao mês de julho, demonstrando uma retomada na demanda por esses produtos. Em seguida, aparecem os Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que tiveram um aumento de 1,6% na mesma comparação mensal. Esses segmentos continuam a mostrar sinais de recuperação após os impactos da pandemia e das dificuldades econômicas enfrentadas pelo país nos últimos anos.
Na análise comparativa com o mesmo período do ano anterior, sete dos oito segmentos considerados apresentaram crescimento, reforçando a tendência de recuperação do varejo brasileiro. Os maiores avanços foram observados nos segmentos de Combustíveis e Lubrificantes, com um aumento expressivo de 15,2%, e nos Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que cresceram 8,5%. Esses números refletem não apenas a retomada do consumo, mas também a adaptação do setor às condições econômicas atuais, incluindo a inflação e o cenário de juros elevados, que influenciam o comportamento de compra dos consumidores.
No âmbito regional, o levantamento aponta que 25 estados brasileiros tiveram crescimento nas vendas em agosto, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O destaque ficou para o Amazonas, que apresentou um crescimento de 21,8%, indicando uma recuperação mais acelerada na região Norte. Por outro lado, dois estados registraram quedas nas vendas: Espírito Santo, com uma redução de 0,4%, e Rio Grande do Sul, que apresentou uma queda de 1,6%. Esses resultados evidenciam a heterogeneidade da recuperação econômica no país, influenciada por fatores locais e regionais.
O economista e pesquisador da Stone, Guilherme Freitas, avaliou o resultado de agosto como uma confirmação da retomada do setor varejista, embora tenha destacado uma perda gradual de ritmo na comparação mensal. Freitas afirmou que o setor vem de três meses consecutivos de alta, permanecendo em patamares superiores aos observados no mesmo período do ano passado. Entretanto, ele ressaltou que o mercado de trabalho, embora continue sustentando a renda e o consumo, não mantém o mesmo dinamismo dos trimestres anteriores. Além disso, o alto custo do crédito e o peso do endividamento das famílias continuam a exercer influência negativa sobre a demanda, especialmente nos segmentos mais dependentes de financiamento, limitando o crescimento do setor.