Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (18) revelam que, em 2022, apenas 29% das pessoas com deficiência no Brasil estavam empregadas, uma taxa significativamente inferior aos 55,8% observados entre a população sem deficiência. A disparidade no nível de ocupação entre esses grupos é de 26,8 pontos percentuais, indicando uma desigualdade expressiva no acesso ao mercado de trabalho.
O estudo, intitulado “Pessoas com Deficiência e as Desigualdades Sociais no Brasil”, detalha que a taxa de emprego diminui ainda mais conforme aumenta a severidade das limitações. Entre os indivíduos com deficiência profunda, a proporção de trabalhadores cai para 21,2%, enquanto aqueles com deficiência severa apresentam uma taxa de 30,5%. Essas diferenças evidenciam a maior dificuldade enfrentada por quem possui limitações mais severas na obtenção de emprego.
No que diz respeito às dificuldades específicas, o levantamento aponta que as pessoas com dificuldades relacionadas às funções mentais apresentam o menor nível de ocupação, com apenas 12,9% empregadas. Em contrapartida, quem enfrenta dificuldades de visão tem a maior taxa de trabalho, chegando a 35,9%. Esses números demonstram como diferentes tipos de limitações impactam de forma distinta a inserção no mercado de trabalho.
Ao analisar os dados por gênero, observa-se que as mulheres com deficiência têm uma taxa de ocupação de 24,4%, enquanto os homens com deficiência apresentam um índice de 35,4%. Ambos os grupos estão abaixo das taxas de emprego de mulheres (47,0%) e homens sem deficiência, que atingem 55,2% e 63,4%, respectivamente. Além disso, a presença de crianças com deficiência em domicílios influencia negativamente a participação das mulheres no mercado de trabalho, com uma taxa de ocupação de 43,1% para essas mulheres, contra 55,2% de mulheres em lares sem crianças com deficiência, uma diferença de 12 pontos percentuais.
O estudo também destaca que, dentro do grupo de pessoas com deficiência, há disparidades raciais. Entre as mulheres com deficiência, pretas ou pardas têm uma taxa de ocupação de 25,6%, ligeiramente superior às mulheres brancas, que apresentam 22,7%. Entre os homens, a proporção de pretos ou pardos empregados é de 36,0%, enquanto a de brancos é de 34,6%. Esses dados refletem desigualdades raciais que permeiam o mercado de trabalho para esse grupo.
A questão salarial também evidencia desigualdades. A renda média mensal dos trabalhadores com deficiência foi de R$ 2.053 em 2022, valor que corresponde a aproximadamente 71% do salário médio de profissionais sem deficiência, que era de R$ 2.890. Quando considerada a renda total das famílias, incluindo salários, aposentadorias, pensões e benefícios sociais, os domicílios com pessoas com deficiência apresentam uma média de R$ 3.626 por mês, representando 76,4% do rendimento de famílias sem pessoas com deficiência, que alcançavam R$ 4.748 nesse período.
Segundo o IBGE, o Brasil tinha, em 2022, um total de 14,407 milhões de pessoas com deficiência, o que equivale a 7,3% da população com 2 anos ou mais de idade. O estudo classifica como pessoas com deficiência aquelas que apresentam muita dificuldade ou não conseguem realizar de modo algum pelo menos uma das funções investigadas. Entre as dificuldades mais comuns estão a de visão, com 7,948 milhões de pessoas, seguida por dificuldades de caminhar ou subir degraus, com 5,173 milhões. Outros grupos incluem pessoas com dificuldades para pegar objetos pequenos (2,727 milhões), dificuldades relacionadas às funções mentais (2,689 milhões) e dificuldades auditivas (2,555 milhões). Além disso, 3,966 milhões de indivíduos apresentam duas ou mais dessas dificuldades simultaneamente, evidenciando a complexidade e o impacto dessas limitações na vida cotidiana e na inserção social.