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Governo dos EUA critica parcerias da Ford com empresas chinesas por questões de segurança nacional

•REUTERS/Rebecca Cook/Arquivo

O governo dos Estados Unidos manifestou, na terça-feira (8), forte preocupação com as parcerias comerciais estabelecidas pela Ford Motor Company com empresas chinesas, alegando que tais acordos representam riscos significativos à segurança nacional americana. Em uma carta enviada ao CEO da montadora, Jim Farley, o secretário de Transportes dos EUA, Sean Duffy, expressou sua insatisfação e alertou para as possíveis implicações estratégicas dessas negociações.

De acordo com o documento, o Departamento de Transportes dos EUA (USDOT) está particularmente preocupado com a dependência da Ford de tecnologia licenciada de fabricantes chinesas, especialmente no que diz respeito à fabricante de baterias CATL (China Contemporary Amperex Technology Co. Limited), listada na bolsa de Shenzhen sob o código 300750.SZ. A preocupação se intensifica pelo fato de que essa tecnologia está sendo utilizada na fábrica da Ford localizada em Marshall, Michigan, o que, na visão do governo americano, pode representar uma vulnerabilidade de segurança.

Além da relação com a CATL, Duffy destacou que a joint venture da Ford com a fabricante chinesa Geely, estabelecida na Espanha, também suscita preocupações. Segundo o secretário, essa parceria favorece adversários estratégicos ao garantir uma presença significativa nos mercados ocidentais, o que poderia prejudicar os interesses estratégicos dos Estados Unidos.

Outro ponto de atenção mencionado na carta refere-se às negociações em andamento entre a Ford e a fabricante chinesa BYD (Build Your Dreams), especializada em componentes de veículos híbridos. Duffy afirmou que esses acordos podem resultar na incorporação de tecnologia estrangeira subsidiada nas principais cadeias de suprimentos da Ford, aumentando assim o risco de dependência de tecnologia chinesa em setores críticos do setor automotivo.

O secretário também criticou a decisão da Ford de não transferir a produção do modelo Lincoln Nautilus da China para os Estados Unidos até o ano de 2030. Segundo ele, essa postura mantém uma “janela inaceitável de dependência” da produção chinesa por vários anos, o que, na avaliação do governo americano, compromete a autonomia tecnológica e a segurança do país.

A Ford, por sua vez, não respondeu imediatamente às solicitações de comentário feitas pelas autoridades americanas. O episódio evidencia o crescente escrutínio do governo dos EUA sobre as operações de empresas multinacionais no setor automotivo, especialmente aquelas que mantêm vínculos com o mercado chinês, considerado por Washington como uma fonte potencial de vulnerabilidades estratégicas.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade