O embaixador dos Estados Unidos na União Europeia (UE), Andrew Puzder, reafirmou a pressão do governo americano para que o bloco europeu cumpra integralmente os compromissos estabelecidos em seu acordo comercial bilateral, além de solicitar a remoção de barreiras que possam dificultar o comércio transatlântico. A manifestação foi feita por meio de um comentário divulgado na plataforma X, antiga rede social Twitter, na qual Puzder destacou a necessidade de a União Europeia assegurar que suas novas diretivas de Diligência Devida em Sustentabilidade Corporativa (CSDDD, na sigla em inglês) e de Relatórios de Sustentabilidade (CSRD) não se tornem obstáculos às operações de empresas americanas ou relacionadas ao mercado dos Estados Unidos.
O diplomata afirmou que a UE deveria garantir que essas diretivas não imponham dificuldades desproporcionais às empresas, independentemente de seu porte, e que os consumidores europeus não sejam os principais prejudicados por possíveis custos adicionais. Segundo Puzder, a menos que a União Europeia mude sua abordagem, as novas regulamentações poderão impactar negativamente negócios de todos os tamanhos, gerando encargos que, no final, serão arcados pelos consumidores.
No comentário, Puzder solicitou que o bloco europeu limite a aplicação dessas diretivas às atividades de subsidiárias europeias de empresas americanas ou de parcerias com empresas dos EUA, especialmente para bens produzidos na União Europeia ou serviços cuja origem seja de países-membros do bloco. Além disso, pediu que as autoridades europeias proíbam penalidades a empresas americanas ou suas subsidiárias na Europa cuja receita venha de atividades realizadas fora do continente, exemplificando com empresas que possuem ligação com a UE, mas que atuam exclusivamente para atender ao mercado norte-americano. Para essas empresas, que não pretendem oferecer seus produtos ou serviços na Europa, Puzder argumentou que não deveria haver obrigatoriedade de cumprir requisitos de diligência ou relatórios relacionados a operações que não envolvem fronteiras ou consumidores europeus.
O embaixador também reforçou a necessidade de classificar os Estados Unidos como um país de “risco negligenciável” no contexto dessas regulações, devido às suas “fortes estruturas de compliance” que garantiriam a conformidade das empresas. Assim, negócios americanos poderiam ser excluídos de algumas verificações de compliance, evitando a duplicidade de processos que já estão em vigor, o que facilitaria a operação de empresas do país na Europa.
Por fim, Puzder reiterou a posição dos Estados Unidos de que a União Europeia deve respeitar a exclusão das metas climáticas de carbono zero (Net Zero) previstas no acordo comercial, e alertou contra a reintrodução de planos de transição climática que possam afetar as relações comerciais. Ele concluiu afirmando a disposição de trabalhar junto à Comissão Europeia para alinhar essas medidas e evitar que futuras regulamentações prejudiquem a relação comercial entre os dois blocos.