A carga tributária bruta do Governo Geral brasileiro atingiu 32,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, um aumento de 2,1 pontos percentuais em relação a 2023, quando registrou 30,3%. Os dados, revisados e divulgados pela Secretaria do Tesouro Nacional, indicam o maior percentual da série histórica iniciada em 2010. A elevação reflete uma arrecadação mais robusta, superior ao crescimento econômico do país, e foi impulsionada principalmente pelo aumento das receitas do Governo Central, especialmente em tributos sobre renda, lucros, ganhos de capital e contribuições sociais.
A revisão metodológica aplicada pelo Tesouro Nacional teve como objetivo alinhar a classificação das receitas às normas internacionais de estatísticas fiscais, garantindo maior comparabilidade dos dados ao longo do tempo. Entre os ajustes, o órgão retirou do cálculo determinados valores que, na nova metodologia, deixaram de ser considerados tributos na carga tributária bruta do Governo Geral. Com isso, os anos anteriores foram recalculados para refletir essas mudanças, o que reforça a consistência da série histórica.
A elevação da carga tributária em 2025 foi concentrada na esfera da União, que responde pela maior parte da arrecadação do país. Segundo o Tesouro Nacional, o aumento foi influenciado por receitas relacionadas ao Imposto de Renda (IR), Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), e contribuições ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS). A arrecadação com IR, por exemplo, cresceu devido ao aumento da massa salarial, consequência do fortalecimento do mercado de trabalho formal e do crescimento econômico. O aumento do IOF, por sua vez, está associado às operações de câmbio e crédito, que tiveram maior movimentação em 2025.
Já a alta nas contribuições sociais ao RGPS foi impactada pelo crescimento do emprego formal, aliado à reoneração da folha de pagamento, que elevou a arrecadação nesse segmento. Esses fatores, combinados, contribuíram para o recorde de 32,4% do PIB na carga tributária do Governo Geral, marcando uma tendência de aumento na carga fiscal do país nos últimos anos. O avanço expressivo evidencia o esforço do governo em ampliar a arrecadação, embora também levante discussões sobre o impacto dessa carga sobre a economia e a competitividade do Brasil.