A Toyota Motor Corporation, maior fabricante de veículos do mundo, anunciou nesta terça-feira, 4 de outubro, a recompra de ações no valor de até 1 trilhão de ienes, aproximadamente US$6,3 bilhões, além de elevar sua previsão de lucro operacional para o ano fiscal. Apesar da revisão positiva, a empresa continua enfrentando desafios em seus indicadores financeiros, refletidos na queda de 9% no lucro operacional do primeiro trimestre, que marcou o quinto trimestre consecutivo de resultados abaixo das expectativas do mercado.
A montadora japonesa ajustou sua projeção de lucro operacional para o período até março de 2024, passando de 3,1 trilhões de ienes (US$19,7 bilhões) para 3,4 trilhões de ienes (US$21,6 bilhões), um aumento de 13%. No entanto, essa estimativa ainda representa uma redução de 10% em comparação ao lucro do último ano fiscal. A revisão considerou a desvalorização significativa do iene, que passou a ser cotado em torno de 157 ienes por dólar na terça-feira, após intervenções conjuntas dos governos dos Estados Unidos e do Japão para conter sua queda. Em setembro, o câmbio atingiu mínimas próximas a 164 ienes por dólar.
Apesar da melhora nas projeções, a Toyota destacou que sua revisão de lucros não incorpora os efeitos do terremoto ocorrido na semana passada na ilha de Kyushu, no Japão. A tragédia forçou a interrupção da produção em quatro fábricas no país, o que deverá impactar temporariamente a produção e as vendas. Além disso, a empresa sofreu com a redução nas vendas na China, uma de suas principais regiões de atuação, e com os efeitos da guerra no Irã, que elevou os custos de matérias-primas e provocou atrasos nas entregas, especialmente de componentes como alumínio.
Para contornar esses obstáculos, a Toyota adotou medidas estratégicas, incluindo o uso de rotas terrestres para o transporte de veículos ao Oriente Médio, evitando o Estreito de Ormuz, uma das principais vias afetadas pelo conflito na região. A estimativa do impacto financeiro da guerra no Irã foi revisada para 510 bilhões de ienes neste ano fiscal, abaixo dos 670 bilhões de ienes inicialmente previstos, embora continue sendo uma das maiores perdas relacionadas ao conflito divulgadas por uma empresa global até o momento.
A companhia também anunciou uma estratégia de recompra de ações que, embora significativa, foi considerada por analistas como relativamente modesta diante do caixa líquido de aproximadamente 15 trilhões de ienes e do fato de suas ações estarem sendo negociadas abaixo do valor contábil. A operação prevê a recompra de até 4,22% do total de ações em circulação e o cancelamento de 200 milhões de papéis, numa tentativa de valorizar os ativos e atender às expectativas dos acionistas.
Paralelamente, a Toyota elevou sua meta de vendas de veículos para o ano, passando de 9,6 milhões para 9,7 milhões de unidades, impulsionada pela demanda sólida na América do Norte e na Europa. Assim, a montadora espera manter sua presença global e reforçar sua estratégia de crescimento, mesmo diante de um cenário econômico marcado por volatilidades cambiais, conflitos internacionais e desastres naturais que continuam a afetar suas operações.