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Especialista destaca prioridades na gestão hídrica diante do cenário do El Niño para 2026-2027

•NOAA

Após a divulgação do Boletim nº 2 do Painel El Niño 2026-2027 pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em parceria com outros órgãos federais, especialistas alertam para a necessidade de priorizar ações na gestão dos recursos hídricos do país. O documento indica um cenário de redução das chuvas em diversas regiões brasileiras, ao mesmo tempo em que aponta para eventos climáticos extremos, como temporais, cheias, alagamentos e deslizamentos de terra, especialmente na região Sul, que já apresenta sinais de atenuação das precipitações.

Segundo o pesquisador Marcus Suassuna, do Serviço Geológico do Brasil (SGB), a região Sul deve receber atenção especial no curto prazo, uma vez que o El Niño já está em atividade na área. Nos últimos meses, essa região enfrentou episódios frequentes de inundações, e a previsão indica que esses eventos tendem a se intensificar nos próximos meses. Suassuna destaca que a maior preocupação deve recair sobre a navegação e o planejamento de recursos hídricos, uma vez que o aumento na incidência de cheias impacta diretamente atividades econômicas, como o transporte fluvial, além de representar riscos à segurança da população.

O especialista reforça a importância de que gestores de bacias hidrográficas adotem estratégias de monitoramento contínuo e planejamento preventivo para minimizar os efeitos das cheias e evitar prejuízos maiores. Ele também lembra que episódios semelhantes aos observados entre 2023 e 2024 já reforçam a necessidade de ações coordenadas e de longo prazo para lidar com eventos extremos relacionados às mudanças climáticas. A atenção à gestão hídrica, segundo Suassuna, deve incluir a adaptação de infraestruturas e a implementação de sistemas de alerta precoce, especialmente na região Sul, onde as previsões indicam maior incidência de eventos de inundação.

Na região Norte, particularmente na Amazônia, o cenário é oposto ao do Sul. As previsões indicam uma redução das chuvas, com temperaturas acima da média e atraso no início da estação chuvosa em áreas da Amazônia Legal. Essa mudança climática pode dificultar o transporte fluvial, que é fundamental para o deslocamento de pessoas e mercadorias na região. A diminuição dos níveis dos rios, que já vem sendo observada, pode restringir a navegação e afetar o abastecimento de comunidades ribeirinhas, colocando em risco a economia local e o acesso a serviços essenciais.

Diante dessas previsões, especialistas reforçam a necessidade de ações integradas e de planejamento estratégico para enfrentar os desafios apresentados pelo fenômeno El Niño. A prioridade deve ser a implementação de medidas que garantam a segurança hídrica e a continuidade das atividades econômicas, bem como a proteção das populações mais vulneráveis às mudanças climáticas que já se mostram evidentes em diferentes regiões do Brasil.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade