Durante uma tentativa de evasão para o Paraguai, Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), apresentou às autoridades um passaporte falso em nome de um paraguaio, Julio Eduardo, além de uma declaração médica que afirmava ter um câncer cerebral que o impedia de se comunicar verbalmente. Ele foi detido no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção, nesta sexta-feira (26/12), enquanto tentava embarcar para El Salvador.
De acordo com a Polícia Federal, Silvinei estava portando um documento denominado “Declaração Pessoal para Autoridades Aeroportuárias”, no qual alegava ser portador de Glioblastoma Multiforme – Grau IV, uma forma agressiva de câncer no cérebro. No texto, ele afirmava que não conseguia falar nem ouvir, devido a uma condição médica severa, e pedia que qualquer comunicação fosse feita por escrito.
O ex-diretor da PRF mencionava ainda que sua viagem a San Salvador, via Copa Airlines, tinha como única finalidade a realização de um tratamento médico de radiocirurgia, que, conforme a declaração, poderia “prolongar a expectativa de vida”. O documento também fazia menção a uma autorização médica para a viagem e ao porte de medicamentos de uso contínuo.
Silvinei Vasques foi diretor da PRF durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele foi preso no Paraguai ao tentar deixar o Brasil em um carro alugado, portando um passaporte falso e objetos para um animal de estimação. Condenado pelo STF a 24 anos e 6 meses de prisão por sua participação no núcleo 2 da suposta trama golpista, que, segundo a Corte, elaborou a chamada “minuta do golpe” e tentou dificultar o voto de eleitores nordestinos nas eleições de 2022, sua condenação foi proferida em 16 de dezembro, mas ainda não é definitiva, uma vez que sua defesa está dentro do prazo para recorrer. Apesar disso, Moraes determinou sua prisão preventiva após a tentativa de fuga.
Vasques será entregue à Polícia Federal ainda nesta sexta-feira (26/12). As autoridades paraguaias estão conduzindo-o até a região da tríplice fronteira, em Ciudad del Este, onde será repassado à PF. Em seguida, o ex-diretor será levado para Brasília, onde permanecerá sob custódia.