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O Impacto das Condições Climáticas na Possível Redução dos Juros no Brasil

A projeção de que 2026 não será marcado pela intensa influência de fenômenos climáticos como El Niño e La Niña pode favorecer um cenário que possibilite a diminuição das taxas de juros no Brasil. Esse efeito positivo do clima está relacionado à estabilidade na produção agrícola, uma vez que uma safra tranquila contribui para a oferta de alimentos e, consequentemente, para a regularidade nos preços.

A redução da taxa de juros está intimamente ligada à expectativa de que a inflação atinja o centro da meta, fixada em 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Nos últimos 12 meses, encerrados em novembro, a inflação ficou em 4,46%. Os preços dos alimentos têm um papel crucial nesse índice, potencialmente favorecendo uma diminuição geral.

Atualmente, a Selic, taxa básica de juros da economia brasileira, está estabelecida em 15%. Essa manutenção foi decidida na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que ocorreu no dia 10 deste mês. O Relatório de Política Monetária (RPM) do Banco Central, divulgado na quinta-feira (18/12), indica que a queda da inflação em 2025 é resultado principalmente de uma redução nos preços de bens industriais e alimentos, influenciada pela valorização do real e condições climáticas que beneficiaram a produção agrícola.

Diogo Abry Guillen, diretor de Política Econômica do Banco Central, comentou na apresentação do relatório que a instituição espera que o clima não tenha um impacto negativo na produção de alimentos em 2026. O fenômeno El Niño, que causa o aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico na Linha do Equador, e o La Niña, que provoca o seu resfriamento, afetam o regime de chuvas e temperaturas, impactando a agricultura em várias regiões do Brasil.

Apesar dos efeitos climáticos positivos, o Banco Central prevê que a safra de 2026 será inferior à de 2025. Guillen alertou que não se espera um impulso significativo no setor agropecuário, comparado ao desempenho excepcional dos últimos dois anos. Essa análise está alinhada com as previsões do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que estima a colheita de 345,9 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2025, com uma expectativa de queda de 2,95% para 2026, resultando em 335,7 milhões de toneladas.

A previsão de uma redução na safra de 2026 é feita à luz do recorde histórico alcançado em 2025, que deve ser 18,2% maior do que o resultado de 2024, ano em que foram coletadas 292,7 milhões de toneladas. Segundo o IBGE, em 2024, os alimentos e bebidas tiveram um impacto significativo na inflação, com uma alta de 7,69% nos 12 meses, contribuindo com 1,63 ponto percentual para a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA). O Ministério da Fazenda projeta uma inflação acumulada de 3,5% para 2026, enquanto o mercado, conforme o Boletim Focus, estima um índice de 4,10% para o mesmo ano.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade