Na quarta-feira (14/5), as duas federações que representam os trabalhadores do setor petrolífero informaram sobre a realização de uma nova greve de advertência, agendada para os dias 29 e 30 de maio. Essa mobilização é uma resposta à falta de progresso nas negociações com a Petrobras.
A greve está prevista para iniciar às 7h do dia 29 de maio e se estender até às 19h do dia 30, coincidentemente, o mesmo dia em que a empresa implementará um novo modelo de teletrabalho (detalhes sobre a proposta estão disponíveis abaixo).
De acordo com a Federação Única dos Petroleiros (FUP) e a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), a paralisação é uma “resposta direta à falta de avanços concretos nas discussões com a liderança da Petrobras”, especialmente em relação à remuneração variável dos trabalhadores e à política de cortes de custos adotada pela empresa.
Em contato com o Metrópoles, a Petrobras afirmou que “ainda não recebeu notificação oficial das entidades sindicais sobre a greve”, mas que “respeita o direito de manifestação dos seus funcionários”. A companhia destacou que tem promovido diversas reuniões com os sindicatos para esclarecer as mudanças relacionadas ao novo modelo de trabalho híbrido que entrará em vigor a partir de 30 de maio.
As federações criticaram a atual administração da Petrobras, que anunciou um lucro líquido de R$ 35,2 bilhões no primeiro trimestre, além de distribuir R$ 11,72 bilhões em dividendos aos acionistas, ao mesmo tempo em que defende medidas de austeridade interna. Os petroleiros consideram “inaceitável que, mesmo diante de lucros recordes, os trabalhadores continuem a ser penalizados”.
“A insatisfação da categoria cresceu após a declaração da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, que, um dia após anunciar o lucro líquido de R$ 35,2 bilhões e a distribuição de R$ 11,72 bilhões em dividendos, afirmou que a empresa está passando por um período de cortes e austeridade”, afirmou o comunicado das federações.
Outro ponto de preocupação levantado é a segurança nas operações da empresa, com denúncias de subnotificação de acidentes e um apelo por maior transparência e rigor na gestão da segurança dos trabalhadores.
Os petroleiros planejam apresentar uma contraproposta unificada à direção da Petrobras. “As federações reafirmam seu compromisso em lutar por melhores condições de trabalho, justiça na distribuição dos lucros da empresa e respeito aos direitos dos petroleiros”, acrescentaram.
A Petrobras reiterou que ainda não recebeu notificação oficial das entidades sindicais sobre a greve e que a empresa respeita o direito de manifestação dos seus colaboradores. A companhia tem mantido um diálogo contínuo com os sindicatos e, nas reuniões, atendeu a algumas reivindicações, propondo flexibilizações no modelo híbrido de trabalho para grupos específicos, como gestantes e pais de crianças de até 2 anos.
Além disso, a Petrobras já iniciou a reposição de seu quadro de funcionários, convocando mais de 1.900 novos colaboradores em 2024 e anunciando a contratação de 1.780 novos empregados para 2025, oriundos de concurso público de nível técnico.
Por fim, a Petrobras possui um programa de remuneração variável que inclui, entre outros aspectos, a Participação nos Lucros e Resultados (PLR). A empresa negociou um acordo de PLR com os sindicatos para o período de 2024/2025, que será integralmente cumprido.