Frustrante. Essa é a palavra que melhor descreve até o momento a trajetória do Atlético no Campeonato Brasileiro. Com apenas 32 pontos acumulados em 26 jogos, o Galo enfrenta uma das suas temporadas mais irregulares na última década. Ao se aproximar do final da competição, com 12 rodadas restantes, a equipe precisa definir seu futuro — não apenas para este ano, mas também para o planejamento esportivo e financeiro do clube até 2026.
O início complicado do Atlético na competição já indicava que o campeonato seria desafiador. Foram quatro rodadas sem vitórias logo de início — derrotas para Grêmio e Santos, além de empates decepcionantes em casa contra São Paulo e Vitória. O primeiro triunfo veio apenas na quinta rodada, contra o Botafogo, no Mineirão, quando a torcida acreditava que aquele resultado poderia sinalizar uma mudança de rumo. Contudo, isso não se concretizou.
A falta de consistência se tornou uma constante. O Galo não conseguiu estabelecer uma sequência de bons resultados e passou a maior parte do campeonato na parte inferior da tabela. Em certos momentos, chegou a flertar perigosamente com a zona de rebaixamento, algo impensável para um clube que, nos últimos anos, se acostumou a lutar pelas primeiras posições e a sonhar com títulos.
Além dos números insatisfatórios, as atuações aquém do esperado e a eliminação precoce na Copa do Brasil — justamente para o rival Cruzeiro — aumentaram a pressão sobre os jogadores e culminaram na demissão do técnico Cuca. A diretoria, em busca de uma reviravolta, apostou em Jorge Sampaoli, que assumiu o comando na 23ª rodada. O argentino ainda busca encontrar o equilíbrio e a formação ideal, mas enfrenta limitações técnicas, físicas e emocionais do elenco.
Atualmente, após 26 partidas, o Atlético ocupa a 14ª posição, com 32 pontos. A vitória sobre o Sport, na última quarta-feira (8), trouxe um alívio momentâneo e um pouco mais de confiança. A equipe abriu sete pontos de vantagem sobre a zona de rebaixamento, e, segundo projeções da UFMG, as chances de queda são de 6,6% — um número que, embora considerado baixo, ainda não permite relaxamento. Vale lembrar que o Galo tem um jogo a menos que a maioria dos concorrentes diretos, contra o Fortaleza, que pode ser decisivo para o futuro da equipe.
A jornada do Atlético continua na próxima quarta-feira (15), com um desafio especial: o clássico contra o Cruzeiro, na Arena MRV, pela 28ª rodada. Um confronto que vale muito mais do que apenas três pontos. É a chance para o Galo reafirmar sua grandeza, mudar a atmosfera interna e reacender a esperança de um final de temporada mais digno — além de prejudicar o rival na disputa pelo título.
Um triunfo em casa pode não apenas afastar o Atlético da zona de rebaixamento, mas também aproximá-lo da parte superior da tabela. Além disso, representa uma oportunidade crucial para consolidar a reabilitação iniciada por Sampaoli, que ainda carece de um resultado mais concreto para se firmar.
Dos jogadores que estavam em má fase, apenas Hulk continua a apresentar baixo desempenho, enquanto Arana e Rony, que antes eram alvos de críticas, marcaram contra o Sport e demonstraram sinais de recuperação. Bernard se tornou um titular indiscutível, assim como Igor Gomes e Vitor Hugo, além de Caio também ter se destacado em suas atuações.
Para aumentar ainda mais a importância do clássico, o Atlético pode, com uma vitória, retirar o Cruzeiro da disputa pelo título do Brasileiro. Contudo, uma derrota traria de volta a pressão sobre o clube: risco de rebaixamento, confiança em baixa e cobrança da torcida, entre outros fatores.
Com 12 partidas restantes, o Atlético se depara com um cenário de transição e decisão. Os jogos finais servirão não apenas para alcançar o “número mágico” de 45 pontos, que normalmente assegura a permanência na Série A, mas também para buscar uma reconexão com os torcedores e lutar por uma vaga na próxima Copa Libertadores — um objetivo que, embora distante, ainda é matematicamente viável.
Além do clássico, o Galo enfrentará importantes desafios no restante do Brasileirão, sem esquecer da disputa por uma vaga na final da Copa Sul-Americana contra o Independiente Del Valle. Partidas contra os líderes Palmeiras e Flamengo, além de confrontos com o Bahia, rival na busca pela Libertadores, estão no calendário alvinegro até o fim da competição.