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Amazon aposta na “Netflix da IA” e suscita reflexão: o que realmente consideramos entretenimento?

Imagem: Reprodução/Fable

Recentemente, um movimento que parecia discreto no universo da tecnologia e do entretenimento ganhou destaque: a Amazon, através do Alexa Fund Venture Capital, revelou um investimento — cujo valor não foi divulgado — na Fable, a empresa por trás da plataforma Showrunner. Essa notícia poderia passar despercebida, não fosse o fato de que o serviço foi apelidado de “Netflix da IA” e promete revolucionar nossa compreensão atual de entretenimento.

Além de ser a assistente virtual, Alexa é também o nome do fundo de capital de risco da Amazon, que busca apoiar startups com propostas inovadoras em inteligência artificial, hardware e outras áreas estratégicas. Este investimento é apenas mais um entre muitos que a empresa já realizou. No entanto, o Showrunner não é apenas mais uma plataforma de streaming competindo com o Prime Video. Ele possibilita que os usuários criem cenas ou até episódios inteiros a partir de frases, que podem estar ou não ambientadas em universos fictícios já conhecidos.

Após meses em fase de testes com um grupo restrito de 10 mil usuários, a plataforma agora se expande através de um grupo no Discord, onde os usuários podem adquirir créditos para criar vídeos utilizando inteligência artificial generativa, que podem ser compartilhados em plataformas como o YouTube.

Edward Saatchi, cineasta e CEO da Fable, declarou à Variety que o objetivo não é produzir uma versão “barata de Toy Story”, referindo-se à famosa animação da Pixar, mas sim criar novas narrativas dentro desse universo utilizando IA. “Tudo pertence à Disney”, salienta. Com isso, a empresa busca firmar acordos de licenciamento com grandes estúdios de Hollywood.

Para demonstrar o potencial de sua ferramenta, a Fable lançou em 2023 um “episódio não autorizado” da série South Park e, no ano anterior, produziu dez séries originais a partir do Showrunner. “Os serviços de streaming de Hollywood estão prestes a se transformar em um entretenimento interativo: agora, o público que adora uma série poderá criar novos episódios com apenas algumas palavras e se tornar parte da narrativa com uma imagem”, afirmou Saatchi à Variety. “Nos próximos cinco anos, nossa relação com o entretenimento será completamente alterada.”

Em uma entrevista ao The Wrap, o executivo descreveu sua visão para o futuro dos filmes e séries: a capacidade do espectador de adicionar ações personalizadas diretamente ao que acontece na tela. “Isso pode mudar a dinâmica entre o público e o cineasta de uma maneira crucial, especialmente em uma época em que jogos e redes sociais competem intensamente com o cinema. Quero que o cinema permaneça a forma de arte predominante nos próximos 50 anos”, revelou. “Neste momento, parece que os jogos estão se tornando a forma de arte dominante. Então, precisamos reagir.”

Curiosamente, a Netflix já tentou uma abordagem semelhante — mas sem o uso de IA. A proposta de conteúdos interativos permitia que o espectador decidisse o próximo passo dos personagens, mas a iniciativa não teve sucesso e foi completamente descontinuada.

O futuro do streaming

A capacidade de criar conteúdo em vídeo sob demanda pelo espectador pode ser vista como uma grande mudança na definição do que é o audiovisual. Até agora, o debate sobre o uso da inteligência artificial tem se concentrado nos bastidores da indústria, entre executivos e especialistas — longe do grande público. O temor, especialmente após as greves de 2023, era como os estúdios poderiam substituir a criatividade humana por conteúdos gerados por IA. Recentemente, por exemplo, houve controvérsias em torno do uso dessa tecnologia para produzir efeitos especiais na série argentina “O Eternauta”.

Um marco inicial dessa transformação foi a introdução do Veo 3, do Google, que permite a criação de vídeos curtos a partir de pequenos textos, acessíveis a qualquer usuário mediante pagamento. Não é surpresa que a internet tenha sido inundada por esse tipo de conteúdo nos últimos meses.

A proposta da Fable com o Showrunner vai além do que já foi visto. Não apenas os produtores podem utilizar a plataforma para criar cenas para seus projetos, mas ela também promete mudar completamente a maneira como interagimos com os serviços de streaming. Usando o exemplo de Edward Saatchi: ao invés de aguardar a chegada de “Toy Story 5” aos cinemas, o espectador pode simplesmente solicitar ao Showrunner — ou diretamente ao Disney+ — a criação de um desenho animado do zero, baseado em suas preferências. Em pouco tempo, o filme estaria pronto.

Para contextualizar, o primeiro “Toy Story”, lançado em 1995, levou quase cinco anos para ser finalizado. “Toy Story 4”, de 2019, teve um tempo de produção similar.

A questão do que é entretenimento

Uma dúvida que surge é onde traçar a linha entre a criatividade humana, o que é gerado por IA e a influência dos prompts dos usuários. Estúdios podem transformar propriedades intelectuais em fontes quase ilimitadas de receita, permitindo que cada espectador crie sua própria versão de personagens e universos fictícios — sem a necessidade de remuneração para roteiristas, atores, diretores ou outros profissionais criativos.

Considere o Superman, por exemplo. O personagem recentemente ganhou uma nova versão nos cinemas que agradou a muitos, mas também deixou parte do público insatisfeito. Agora, imagine a Warner Bros. lançando várias versões do herói, cada uma ajustada ao gosto de um fã diferente — e por uma fração do custo do longa-metragem original, que foi estimado em US$ 225 milhões (R$ 1,2 bilhão).

Mas será que podemos realmente classificar isso como entretenimento?

Vamos refletir brevemente sobre o que define a arte: uma expressão criativa de ideias, emoções ou visões de mundo, destinada a evocar sensações, reflexões ou conexões. Isso é algo intrinsecamente humano. Portanto, chamar algo de arte sintética parece uma contradição.

O entretenimento, por sua vez, é qualquer atividade ou conteúdo criado para divertir, distrair ou envolver emocionalmente o público. A arte pode ou não estar presente. E aqui surge um novo debate: será que já podemos considerar o que chamamos de entretenimento como sendo sintético?

É verdade que muitas obras já são, por essência, um pacto colaborativo entre criadores e consumidores. Na literatura, é o leitor quem dá vida às imagens e ações descritas; nas histórias em quadrinhos, o fã projeta movimento e som, preenchendo com sua imaginação o que acontece entre os quadros; nos jogos, o jogador conduz a narrativa ao movimentar o personagem pelos cenários.

No entanto, em todos esses casos, existe uma intenção criativa por trás. Sempre haverá a mão de um artista — seja comercial ou não — moldando a experiência.

A partir de agora, não há respostas definitivas. Mas, além dos interesses comerciais, é crucial que, como sociedade, decidamos o que desejamos preservar sob a influência humana e o que estamos dispostos a entregar às mãos da inteligência artificial.

Caso contrário, corremos o risco de criar algo que, no final, pode ser muitas coisas — menos aquilo que, em sua essência mais pura, ainda chamamos de entretenimento. Siga Renan Martins Frade no X (ex-Twitter), Instagram, TikTok e LinkedIn, ou participe do grupo no WhatsApp.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade