Os juros futuros iniciaram a sessão desta terça-feira (27) em queda, após terem disparado mais de 200 pontos-base no dia anterior em reação à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O movimento ocorre em um ambiente de intervenção do Tesouro Nacional, que anunciou o cancelamento de dois leilões previstos para o mercado, enquanto o dólar, o petróleo e os rendimentos dos Treasuries também recuam.
A atuação do Tesouro ocorre com o objetivo de ajudar a reduzir a disfuncionalidade observada no mercado. A medida foi informada em meio à abertura dos negócios e envolve o cancelamento do leilão tradicional de Letras Financeiras do Tesouro (LFT) e do leilão de recompra de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B).
As decisões relacionadas aos leilões influenciam a negociação de títulos públicos e podem afetar a formação das taxas de juros no mercado financeiro. No caso desta terça-feira, o anúncio foi feito após uma sessão marcada por forte aumento dos juros futuros, que avançaram mais de 200 pontos-base no dia anterior.
O ponto-base é uma unidade utilizada para medir variações nas taxas de juros. Cem pontos-base correspondem a 1 ponto percentual. Assim, uma alta superior a 200 pontos-base representa um aumento de mais de 2 pontos percentuais nas taxas negociadas, evidenciando a intensidade do movimento registrado na sessão anterior.
Às 9h10, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027 era negociada a 13,685%, abaixo dos 13,696% registrados no ajuste anterior. A diferença indica uma redução de 0,011 ponto percentual em relação à taxa de referência da sessão passada.
Nos contratos com prazos mais longos, a queda era mais acentuada. O DI para janeiro de 2029 recuava para 15,150%, ante 15,223% no ajuste anterior. Já a taxa do contrato com vencimento em janeiro de 2031 caía para 15,195%, depois de fechar a sessão anterior em 15,279%.
Os contratos de DI são acompanhados como uma referência para as expectativas do mercado em relação às taxas de juros. A movimentação dos contratos com vencimentos em 2027, 2029 e 2031 mostra o comportamento das taxas em diferentes horizontes, com os investidores avaliando as condições do mercado e o cenário posterior à reeleição de Lula.
Além da atuação do Tesouro, o recuo dos juros futuros ocorre em linha com a queda do dólar, do petróleo e dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries. Esses ativos também apresentavam baixa no início da sessão, compondo o ambiente externo e doméstico que influenciava as negociações.