Após um mês de sua implementação, a nova funcionalidade da B3 voltada para ampliar a liquidez no mercado secundário de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B), conhecida como Call de NTN-B, atingiu uma movimentação financeira de R$ 10,4 bilhões, conforme dados antecipados ao sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, o Broadcast. Desse total, R$ 1,5 bilhão foi negociado de forma direta durante as sessões de call, enquanto o restante, R$ 8,9 bilhões, corresponde a operações realizadas após o encerramento dessas janelas, reforçando a percepção de aumento na liquidez e contribuindo para a formação de preços dos 14 vencimentos incluídos na iniciativa.
A nova ferramenta foi criada com o objetivo de concentrar compradores e vendedores em períodos específicos do dia, promovendo maior eficiência e transparência na negociação de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional. Segundo Fernando Bianchini, superintendente de produtos de renda fixa da B3, as chamadas “janelas” de negociação funcionam em ambiente eletrônico, com leilões agendados previamente e comunicados ao mercado, onde participantes podem inserir ordens por meio da plataforma ou pelo protocolo FIX. Ao final de cada sessão, o sistema consolida as ofertas, calcula um preço teórico que maximiza o volume negociado e divulga o resultado para os participantes.
Bianchini destacou que, atualmente, as negociações de NTN-B ocorrem de forma dispersa, entre diferentes instituições e em horários variados. Com a implementação da Call de NTN-B, a Bolsa busca centralizar essas operações, facilitando a liquidez e a formação de preços mais precisos, especialmente para os títulos de vencimentos mais utilizados no mercado. O volume de R$ 1,5 bilhão negociado durante as chamadas corresponde a aproximadamente 20% do volume total movimentado pela plataforma eletrônica TradeMate, também acessível pelo sistema Broadcast, o que demonstra o potencial de crescimento da iniciativa.
A estratégia da B3 inclui a participação de grandes players do mercado, como bancos e corretoras, que atuam como formadores de mercado, inserindo preços de compra e venda ao longo dos vencimentos. Esses participantes, além de negociar, ajudam a estabelecer referências de preços diários, contribuindo para a maior transparência e eficiência do mercado secundário de títulos públicos. Segundo Bianchini, a presença de formadores de mercado tem sido fundamental para ampliar a liquidez e melhorar o funcionamento do ambiente de negociação.
A decisão de iniciar as operações com lotes padrão de 10 mil títulos visa garantir maior relevância nas negociações, embora o mercado também possa realizar operações fracionadas fora das janelas de negociação, utilizando os preços formados nos leilões como referência. O objetivo da B3 é evoluir gradualmente, envolvendo mais participantes e ampliando a liquidez, especialmente na formação de preços de títulos de diferentes vencimentos, contribuindo para um mercado secundário mais robusto e transparente.