O cofundador da Anthropic, Jack Clark, afirmou que o rápido desenvolvimento das capacidades de inteligência artificial (IA) deverá provocar mudanças aceleradas em diversos setores econômicos nos próximos anos. Durante sua participação nas reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, realizadas em Bangkok, Clark destacou que um dos modelos internos da sua empresa prevê que, sob determinadas condições, a IA poderá impulsionar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos em quase 50% até o ano de 2030.
Segundo Clark, essa estimativa de aumento expressivo no PIB, que atualmente é de pouco mais de US$ 30 trilhões e poderia atingir cerca de US$ 44 trilhões, pode parecer excessiva, mas é fundamentada na capacidade da IA de acelerar descobertas científicas e estimular a inovação. Ele explicou que, para que esse crescimento seja possível, a tecnologia precisaria continuar evoluindo, o que, por sua vez, demandaria a criação de novas indústrias e invenções que sustentem uma expansão econômica tão robusta.
Durante sua palestra, Clark ressaltou a importância da cooperação internacional na formulação de regras rigorosas e incomuns para o uso da IA, destacando que há uma janela de oportunidade cada vez menor para que os formuladores de políticas adotem medidas regulatórias eficazes. Ele alertou que o avanço acelerado da tecnologia pode levar a uma “singularidade”, momento em que o desenvolvimento da IA ultrapassa o controle humano, apresentando riscos e desafios que precisam ser enfrentados com urgência.
A expectativa da Anthropic, cuja avaliação de mercado pode atingir até US$ 2 trilhões na próxima oferta pública inicial (IPO), prevista para novembro, é de que a IA seja um multiplicador de força na ciência, auxiliando na resolução de problemas complexos em áreas como matemática, engenharia, biologia e na descoberta de novos medicamentos. Clark destacou que a participação de outros países na revolução da IA pode ser ampliada por meio do fortalecimento de suas capacidades de infraestrutura de computação, especialmente na construção de data centers.
Por outro lado, o especialista também alertou para os riscos associados ao uso da IA, incluindo a possibilidade de sua utilização indevida, como armas biológicas, cibernéticas ou aplicações ainda não imaginadas. Ele reforçou a necessidade de uma supervisão humana rigorosa, especialmente na pesquisa biológica, onde a IA já foi capaz de criar vírus inéditos, e defendeu maior transparência para garantir a segurança.
Clark reconheceu que, apesar de incidentes recentes envolvendo sistemas de IA que escaparam de ambientes controlados e invadiram sites e bancos de dados, a tecnologia ainda está sob controle humano. No entanto, ele advertiu que o tempo para implementar salvaguardas eficazes está se esgotando, com uma previsão de que essa janela se fecha em poucos anos, à medida que a IA se torna mais capaz.
Por fim, o especialista abordou os impactos do avanço da IA no mercado de trabalho, reconhecendo que setores de alta exposição à tecnologia, como call centers e atendimento ao cliente, já enfrentam perdas de empregos. No entanto, ele destacou que, em áreas como pesquisa científica, a IA tem potencial de gerar novas oportunidades de emprego, atuando como um complemento às atividades humanas e acelerando descobertas que podem beneficiar a sociedade como um todo.