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Economistas e interlocutores de Flávio Bolsonaro destacam propostas de responsabilidade fiscal e articulação política em eventual governo

•Reprodução / CNN Brasil

O discurso econômico que vem sendo apresentado pelos apoiadores de Flávio Bolsonaro remete às expectativas criadas para o governo de Jair Bolsonaro em 2019, centrando-se em princípios como responsabilidade fiscal, equipe técnica competente, redução de ineficiências do Estado e respeito à autonomia das instituições. No entanto, a experiência do mandato de Bolsonaro demonstrou que essas convicções muitas vezes foram superadas por interesses políticos, levando a resistência a privatizações, interferências em estatais e à quase eliminação do teto de gastos no final do gestão — ações que comprometeram a disciplina fiscal inicialmente prometida. Essa trajetória levanta questionamentos sobre o grau de autonomia que uma equipe econômica teria em uma eventual administração de Flávio Bolsonaro.

Nesse contexto, a entrevista de Marcelo Kayath ao programa Hora H ganha relevância ao oferecer uma visão sobre o modelo de gestão que ele considera ideal, caso Flávio seja eleito. Kayath, que não se apresenta como candidato a qualquer cargo, afirma que a proposta de um governo de responsabilidade econômica deve envolver uma agenda clara, uma equipe técnica sem estrelismos e uma articulação política equilibrada. Ele reforça que, embora não deseje se candidatar, seu entendimento é que a implementação de uma política econômica eficaz depende de uma combinação de fatores bem coordenados.

O economista, que foi diretor do Credit Suisse e atuou no governo Michel Temer, faz uma referência ao período de Temer, salientando que, naquele momento, acreditava-se ser impossível aprovar uma agenda de reorganização econômica, mas ela avançou graças ao esforço político. Kayath ressalta, entretanto, que o cenário atual é ainda mais desafiador para o Brasil, devido à situação das contas públicas e ao contexto internacional, onde os juros não estão mais próximos de zero, como nos anos anteriores, dificultando a política de estímulo às economias emergentes.

Ele também defende uma postura de honestidade intelectual ao falar sobre a necessidade de uma “parada de arrumação” ou um choque de gestão com medidas “cirúrgicas”, evitando o termo “ajuste fiscal”, que ele considera carregado de conotações políticas negativas. Na esfera monetária, Kayath observa uma reação positiva do mercado, que já vem abrindo espaço para cortes de juros, o que poderia facilitar a implementação de políticas de estímulo.

No campo político, o economista destaca a importância de uma articulação política bem estruturada, afastando a ideia de uma intervenção agressiva no Congresso, como sugerido por Paulo Guedes antes de assumir o ministério. Ele também critica a figura de Guedes, referida por Jair Bolsonaro como “Posto Ipiranga”, argumentando que o ministro não deve ser visto como um economista genial com respostas para todas as questões econômicas.

Apesar do esforço dos interlocutores de Flávio Bolsonaro em falar de economia, ainda há uma ausência de detalhes concretos sobre as medidas que poderiam ser adotadas. Kayath afirma que o momento de divulgar propostas específicas ainda não chegou, mas que essa etapa será inevitável. Enquanto isso, o mercado permanece atento às intenções do grupo, com uma preocupação central: evitar mais quatro anos de um governo semelhante ao de Luiz Inácio Lula da Silva, que ainda é visto com resistência por grande parte dos investidores e analistas econômicos.

A expectativa é que, se eleito, Flávio Bolsonaro consiga alinhar suas convicções políticas com uma estratégia econômica responsável, embora o cenário atual continue marcado por dúvidas sobre quais gastos seriam cortados, quais reformas seriam priorizadas e como garantir a autonomia da equipe econômica frente às pressões políticas do presidente.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade